Mulheres fazem ato no Rio contra impeachment de Dilma

Mulheres ligadas a diversos setores da sociedade se reuniram na noite desta terça-feira (5) em um ato realizado no Circo Voador, na Lapa, intitulado Mulheres pela Democracia e contra o Golpe. No ato, elas protestaram contra o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Rio de Janeiro - Lideranças femininas de movimentos sociais e sindicais, artistas e educadoras defendem o governo da presidenta Dilma Rousseff (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Lideranças femininas de movimentos sociais e sindicais, artistas e educadoras defendem o governo da presidenta Dilma Rousseff  Fernando Frazão/Agência Brasil

Para a economista Maria da Conceição Tavares, que participou do ato, o processo "é uma tentativa de golpe". "Este negócio de que impeachment está na Constituição é claro, mas tem que ter crime de responsabilidade", disse. Segundo ela, se outros grupos políticos assumirem o poder, dificilmente farão algo inovador para resolver a crise econômica, pois, primeiro, terão de solucionar a crise política. "Eles não fariam nada diferente, só fariam pior".

Uma das condutoras do ato foi a atriz Bete Mendes, que se posicionou contra a possibilidade de impedimento da presidenta Dilma Rousseff. "Estamos nos irmanando com a presidenta Dilma e com todas as mulheres eleitoras dela. Eu sou política, atriz, cidadã brasileira e já lutei contra a ditadura. É um golpe político, sim", disse Bete.

A também atriz Cristina Pereira repudia a possibilidade de retirada do atual governo. "A gente acredita neste governo, que tem um legado inquestionável. Aconteceram problemas, sim. Há muitas coisas a melhorar. Mas neste momento, uma presidenta que não tem nenhum crime de responsabilidade ser ameaçada de impeachment, é um absurdo. Então nós, como mulheres, temos que nos posicionar. Não tem como ficar em casa tomando café", afirmou.

A líder do Movimento dos Catadores de Materiais Recicláveis do Rio de Janeiro, Claudete Costa, disse que as camadas mais pobres da população estão contra o impeachment, embora não tenham visibilidade na mídia. "Somos contra e estamos apreensivos com esta tentativa de golpe, porque este foi o único governo que sempre respeitou a nossa categoria. Eu moro dentro de uma comunidade chamada Cidade de Deus e lá todo mundo está contra o golpe. Mas não é interesse da mídia mostrar isso", disse Claudete.

A diretora de Políticas Educacionais da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bárbara de Almeida Cardoso, disse que os estudantes irão em massa protestar nas ruas. "A UNE se coloca contra o golpe e em defesa da democracia. Um processo de impeachment sem crime de responsabilidade é golpe. Se isso acontecer, os estudantes vão para as ruas ocupar todos os espaços e chamar a juventude", disse.

O movimento Vem Pra Rua organizou ontem (4) uma manifestação, na Cinelândia, centro do Rio de Janeiro. De acordo com a estilista Adriana Baltazar, líder do movimento, o ato chamado de Muro da Vergonha foi marcado para divulgar a posição dos parlamentares em relação ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff. "A gente acredita que há razões suficientes e legais para isso, e a gente vai cobrar o voto deles a favor do impeachment", disse.

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