Panamá Papers: governo panamenho diz que é injusto destacar o país no escândalo

O Panamá fez hoje (6) uma feroz defesa do seu setor de serviços financeiros, tentando evitar uma repressão internacional dos seus negócios offshore após o escândalo causado pela divulgação dos Panamá Papers.

Os diplomatas sediados no pequeno país da América Central foram chamados ao Ministério dos Negócios Estrangeiros para ouvir os governantes panamenhos argumentarem que é injusto destacar o Panamá no escândalo. "[Ouviram] a verdade sobre o Panamá", disse o secretário de Estado da Comunicação, Manuel Dominguez, citado pela agência de notícias francesa AFP.

O governo também escreveu uma carta com palavras duras ao dirigente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Angel Gurria, atacando uma declaração em que Gurria descreveu o Panamá como "o último grande reduto que continua a permitir que se esconda dinheiro offshore para fugir às autoridades fiscais e judiciais".

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Luis Miguel Hincapié, classificou as acusações de Gurria como falsas, "injustas e discriminatórias". Segundo Hincapié, o líder da OCDE e outros que confiaram nas informações dos Panamá Papers estão tentando "distorcer os fatos e manchar a reputação do país".

O Panamá avisou também que poderá retaliar contra França se esta cumprir a promessa de voltar a pôr o país na sua lista negra de "paraísos fiscais" - um estatuto que faria com que as transações no Panamá fossem encaradas como prováveis esquemas de evasão fiscal.

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