Servidores do Hospital Pedro Ernesto denunciam sucateamento e temem privatização

Servidores, estudantes, profissionais e pacientes do Hospital Universitário Pedro Ernesto denunciaram hoje (7) a precarização do atendimento na unidade e disseram que o sucateamento é o primeiro passo para a privatização de hospitais públicos.

A manifestação de hoje, Dia Mundial da Saúde, ocorreu em frente à unidade. Vinculado à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), o Pedro Ernesto sofre com a falta de recursos, que deixou terceirizados e residentes sem salário integral desde 2015 e com a falta de insumos básicos como seringas, gaze e remédios.

Diante da gravidade da situação, na semana passada, o diretor do hospital, Edmar José Alves dos Santos, admitiu, em audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, que se os repasses não forem regularizados até junho, o hospital fechará as portas.

Segundo a nutricionista Cíntia Teixeira, integrante do Fórum de Saúde do Estado, uma das organizadoras da manifestação, o Pedro Ernesto é o único hospital universitário do Rio que não é administrado por empresas. Com a crise financeira do estado, que deixou de fazer repasses regulares à unidade, a principal preocupação é evitar o fechamento ou a privatização.

"Eles sucateiam, deixam o hospital na capa, dizem que não tem dinheiro, deixam faltar medicamento, a população ficam sem assistência, as consultas demoram, não tem concurso para servidores. Esse é o check-list da privatização", disse Cíntia, que estudou no Pedro Ernesto e também integra a Central Sindical e Popular CSP-Conlutas.

Segundo Cíntia, a gestão do hospital por organizações sociais foi objeto de denúncia por órgãos de controle como o Ministério Público Estadual e o Tribunal de Contas do Estado. Entre as irregularidades, foram identificados desvios de recursos e insumos do hospital para fazendas de proprietários das organizações.

Para a ativista, o dinheiro que é repassado para a gestão privada deveria ser investido diretamente nos hospitais para que as condições de atendimento melhorem. "Dinheiro tem. Para que entregar para pessoas suspeitas?", questionou Cíntia.

Greve

Em greve, os servidores do Pedro Ernesto, que se revezam para não prejudicar os pacientes, disseram que, sem a paralisação, a situação estaria pior. "A greve é para lutar por recursos para o hospital e pelo nosso pagamento. Mesmo que não tivesse greve, com essas condições, o hospital não teria como funcionar plenamente", disse a assistente social Perciliana Rodrigues, do comando de greve.

Representando os profissionais vinculados à Uerj, a coordenadora-geral do Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Públicas Estaduais do Rio de Janeiro (Sintuperj), Regina de Souza, disse que, apesar de o Pedro Ernesto sofrer ameças de fechamento, a unidade cumpre papel importante na formação de profissionais da saúde, além de ser referência para pacientes.

"É um hospital pioneiro em transplante de coração, transplante renal, de fígado e em uma série de coisas. Tem uma unidade que atende adolescentes de todo o Brasil, mas que está perdendo seus leitos nos últimos anos e diminuindo o atendimento por questões diversas", disse. Atualmente, o hospital tem cerca de 500 leitos disponíveis, nas contas do sindicato.

Os principais problemas, segundo Regina, são as condições das enfermarias, que sofrem com a falta de equipamento, problemas estruturais e déficit de profissionais.

Não há previsão de encerramento da greve dos servidores e docentes do hospital, que se juntaram a outras 30 categorias profissionais do estado do Rio que também pararam.

Procurados pela reportagem, a Secretaria Estadual de Saúde e a assessoria do governo do estado não se pronunciaram sobre a regularização dos repasses para o hospital. A administração do Pedro Ernesto disse que não conseguiu contatar o diretor da unidade para dar entrevistas e informou que a situação continua crítica. A previsão de fechar as portas por falta de recursos não mudou, confirmou a assessoria.

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