Hemorio paralisa coleta de sangue neste domingo

Rio de Janeiro - O Instituto Estadual de Hematologia (Hemorio) paralisou excepcionalmente a coleta de sangue neste domingo (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O Hemorio paralisou a coleta de sangue neste domingo por causa do remanejamento de funcionáriosTânia Rêgo/Agência Brasil

A coleta de sangue no Instituto Estadual de Hematologia (Hemorio) foi paralisada hoje (10) por causa do remanejamento de funcionários. A medida foi adotada pelo órgão para garantir a manutenção do funcionamento nos outros dias da semana durante a semana. De acordo com a direção da unidade, também foi considerada a mudança no trânsito que ocorreu nas ruas próximas para a realização da maratona de rua, que foi o 33º evento-teste Jogos de 2016. Amanhã (10), segundo a direção do Hemorio, o Salão dos Doadores voltará a funcionar em horário normal, entre 7h e 18h.

O banco de sangue é uma parte dos serviços prestados pelo instituto, que faz também atendimento hospitalar. O presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, Jorge Darze, disse que a unidade, além de ser referência no tratamento de doenças sanguíneas, é um banco de sangue que tem relevante ação social, porque atende toda a rede pública do Rio de Janeiro. "É uma instituição que tem uma função estratégica muito importante", destacou, ao acrescentar que a crise no estado não poupou o Hemorio. "Eu não vejo hoje condições de resolver a crise no Hemorio no curto prazo", completou.

Um dos maiores problemas apontados por Darze é o número de profissionais terceirizados com salários atrasados. Para ele, isso compromete o funcionamento da unidade. O sindicalista esteve hoje no Hemorio e se reuniu com profissionais que travalham no local. Na saída, afirmou que apenas dois estavam no plantão da emergência, quando deveria ter no mínimo quatro médicos. "Hoje, domingo, temos algumas especialidades que estão ausentes e uma das mais importantes é a pediatria. Deveríamos ter um pediatra hoje de plantão aqui e não temos", disse Darze.

Rio de Janeiro - O presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, Jorge Darzi, fala sobre a paralisação da coleta de sangue no Instituto Estadual de Hematologia (Hemorio) neste domingo (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Presidente do Sindicato dos Médicos do Rio, Jorge Darze diz que o Hemorio enfrenta problemas como falta de medicamentosTânia Rêgo/Agência Brasil

Para o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio, o Instituto enfrenta problemas sérios em várias áreas, como falta de manutenção de equipamentos, de medicamentos e de profissionais para completar as equipes. "Temos problemas de manutenção de equipamentos do hospital, como a parte de radiologia. Equipamento que quebra, porque a manutenção é precária, permanece alguns dias sem funcionamento. Temos problema seriíssimo na parte de medicamentos. Alguns quimioterápicos faltam e isso pode comprometer o esquema de quimioterapia destes pacientes que fazem tratamento aqui no Hemorio", disse Darze.

O aposentado Joel Fernandes, de 78 anos, disse que estava no hospital para acompanhar o irmão, Jair Fernandes, de 80 anos, que está internado, é hemofílico e faz tratamento há cinco anos. Joel contou precisou sair para comprar o medicamento Floratil, em uma drogaria próxima, porque não estava disponível na unidade, e pagou R$ 22. "As vezes não tem na farmácia algum remédio que eles receitam", afirmou.

A Agência Brasil entrou em contato com a Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro para que o órgão comente as declarações sobre a falta de manutenção de equipamentos, de medicamentos e de profissionais no Hemorio e aguarda resposta.

Sobre a paralisação do Salão dos Doadores, o médico Jorge Darze alertou para a possibilidade de ocorrer um colapso na oferta de sangue para as unidades hospitalares, caso a coleta tenha que ser suspensa com mais frequência. "Na medida em que não se coleta a quantidade necessária para suprir os hospitais públicos, isso tem um impacto gravíssimo na vida das pessoas que estão com cirurgias marcadas eletivamente, na vida das pessoas que passam por situação de violência, qualquer que seja, e que é obrigadas a ser submetidas a uma cirurgia. Não tendo sangue, a possibilidade de se perder esse paciente é muito grande", alertou.

Darze informou que esta semana haverá uma reunião do gabinete de crise, formado por representantes do sindicato, do Ministério Público do Estado e da Defensoria Pública. "Tenho certeza que nós vamos tomar medidas jurídicas no sentido de garantir que o governo do estado não negligencie no seu papel protetor e gestor dessa unidade", disse.

A direção do Hemorio ressaltou a importância da ida de doadores a partir desta segunda-feira, quando o serviço de coleta será retomado. "O Hemorio é responsável pelo abastecimento de sangue e derivados de cerca de 200 unidades de saúde conveniadas ao Sistema Único de Saúde [SUS]", destacou.

De acordo com a direção do Hemorio, em média, o instituto recebe, por dia, 250 pessoas para doação de sangue, mas, aos domingos, esse número cai em até 85%. A direção informou ainda que os serviços para a rede de bancos de sangue públicos do estado, como determinação de grupo sanguíneo, sorologia e NAT (teste para detecção de doenças infecciosas em doadores de sangue), processamento, controle de qualidade, entre outros, estão em funcionamento.

Para doar sangue, é preciso ter entre 16 e 69 anos, pesar mais de 50 quilos, estar bem de saúde e portar um documento de identidade oficial com foto. Os jovens com 16 e 17 anos só podem doar sangue se tiverem autorização dos pais ou responsáveis legais. O modelo da autorização está disponível no site do Hemorio. O doador não precisa estar em jejum, mas deve evitar alimentos gordurosos nas três horas que antecedem a coleta do sangue. Por meio do Disque Sangue (0800 282 0708), podem ser esclarecidas dúvidas e obtidos os endereços das outras 26 unidades de coleta distribuídos pelo estado.

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