Líderes de cinco partidos liberam bancadas para votar parecer sobre impeachment

Os líderes do PP, PSD, PHS, PROS e Rede Sustentabilidade liberaram na comissão especial do impeachment, suas bancadas para a votação do parecer do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), pela admissibilidade do impedimento da presidenta Dilma Rousseff. Já os líderes do PRB, Solidariedade, PSB, DEM, PPS, PR e PMB declararam voto pelo impeachment, enquanto as lideranças do PT, PCdoB, PDT, PTN, PSOL e PEN firmaram posição contrária ao impeachment.

O líder do PP, deputado Arnaldo Ribeiro, ressaltou liderar uma bancada dividia e se disse pessoalmente frustrado com o governo Dilma. No entanto, argumentou que, para aprovação do impeachment, é necessário convencimento "inapelável'," inquestionável" e "incontestável" sobre  cometimento do crime de responsabilidade.

"Não há crime de responsabilidade no processo atual e posso dar meu testemunho que jamais vi qualquer tipo de conduta da presidente Dilma que não tenha sido respeitado, honrado e probo. A presidente Dilma é séria e, caso viessem a surgir evidências que comprovassem envolvimento da presidenta em qualquer tipo de malfeito, eu seria o primeiro a votar contra ela, mas não é o que acontece nesse caso", disse Ribeiro.

O PSD, por sua vez, dividiu o tempo para do partido entre um deputado favorável e um contrário ao impeachment. "O que vivemos é resultado da péssima administração, que está usando dinheiro público para fins pessoais, para fins de eleição. Os piores números econômicos da história", argumentou Marcos Montes (MG). O deputado Paulo Magalhães (PSD-BA), sustentou que não há comprovação de que Dilma tenha praticado crimes.

"Nesse momento de denuncismo, de delações premiadas, nenhuma delação premiada citou a honorabilidade da presidente. Ninguém afirmou que a presidente é ladra e, por isso, não podemos permitir a violência à Constituição", disse Magalhães ao declarar voto contrário ao parecer do relator.

O líder do PHS, Givaldo Carimbão (AL) disse que o processo de impeachment é fruto da divisão política que se instalou no país após as eleições. "É verdade que estamos vivendo um desemprego acentuado; agora, me parece, não existe impeachment para impopularidade, existe para impunidade. Estamos vivendo hoje uma falta de apoio político que interferiu na questão social e econômica. Eu votarei contra o impeachment, mas o meu partido cada um será livre para tomar sua decisão".

O deputado Aliel Machado (Rede Sustentabilidade -PR) declarou voto contrário ao impeachment, mas disse que o seu partido liberou os cinco deputados para votar conforme suas consciências.

A favor

O líder do PRB, deputado Márcio Marinho (BA), defendeu o parecer do relator, criticou a teoria governista de que o impeachment seria golpe e orientou os correligionários a votarem pela admissibilidade do processo de impedimento da presidenta. "Não existe golpe quando o estado tem meios reconhecidos para comprovar o atual conjunto dos fatos", disse Marinho.

Em sua fala, o líder do PSB, Fernando Filho (PE), orientou o voto a favor do impeachment, seguindo determinação da executiva nacional da legenda. "Não é por sermos de esquerda que temos de compactuar com tudo o que está aí. Zelamos muito pela Lei de Responsabilidade Fiscal, que é uma conquista do povo brasileiro", discursou.

O líder do DEM, deputado Pauderney Avelino (AM), argumentou haver "indiscutíveis indícios" da prática de crimes da presidenta Dilma. "O crime foi ter desrespeitado o Congresso Nacional ao abusar das prerrogativas quando não tinha cumprido a meta fiscal e não poderia fazê-lo", afirmou.

O deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), disse que o país "está à deriva" e que o partido votará pelo impeachment. "Essa Casa precisa entrar em sintonia com as ruas e mostrar  que temos que fazer: impeachment já", declarou.
O deputado Luiz Carlos Busato (PTB-RS) afirmou que o parecer do relator comprovou a prática de crimes de responsabilidade pela presidenta. "O PT, nesses 13 anos, quebrou o País e agora quer enganar a população dizendo que não sabe, se não viu, que é golpe", disse ao defender a aprovação do impeachment.

Para o líder do PPS, houve "cinismo" por parte do advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, na apresentação da defesa da presidenta. "Essa peça cínica é não reconhecer o relatório do deputado Jovair Arantes, que mostra indícios passíveis de inquérito a serem julgados pelo Senado da República", afirmou

Contra

O líder do PDT, deputado Weverton Rocha (MA), orientou voto contrário ao relatório e disse que o parecer "não tem razão de existir". "Tenho certeza de que nós não vamos permitir essa tentativa violenta de se tirar um mandato de uma presidente eleita", disse. "Houve inconformismo de quem perdeu as eleições e falha de quem ganhou, que não construiu um diálogo", argumentou sobre os motivos que levaram ao atual processo de impeachment.

O líder do PCdoB, deputado Daniel Almeida (BA), atribui à disputa eleitoral o processo de impeachment. "Temos acompanhando, ao longo desse debate, um festival de discursos com conteúdo panfletário na tentativa de manter o palanque que se encerrou na eleição de 2014. Está fora de tempo, fora do lugar", argumentou ao defender voto contrário ao parecer de Jovair Arantes.

A deputada Luciana Santos (PCdoB-PE) também criticou o relatório de Jovair Arantes (PTB-GO), favorável ao impeachment. Ela argumentou se tratar de um golpe para derrubar Dilma da presidência, com a intenção de impor ao país uma política econômica neoliberal. "Se quiserem exercer esse programa, que ganhem as eleições", afirmou.
Luciana Santos voltou a defender que não há crime de responsabilidade. "Depois de tantas horas de debate, está comprovado tecnicamente e juridicamente que não há nenhum crime de responsabilidade imputado à presidente. O que está em jogo é o futuro do País, a quebra da institucionalidade", sustentou.

Segundo o líder do PEN, Júnior Marreca (MA), impopularidade não é motivo para impeachment. "Se esse fosse um motivo de afastamento, teriam que ser afastados quase todos os governadores, a maioria dos prefeitos e nós do Congresso. Não vejo motivo para o afastamento porque não houve dolo da presidenta. Meu voto é contrário ao relatório", afirmou.

*Colaborou Iolando Lourenço


 

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