Guimarães diz que impeachment é "golpe"; Imbassahy fala em "chance de recomeço"

O cronograma definido pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), define que esta fase dos debates em torno do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff é reservada aos partidos, que têm uma hora para se manifestar na tribuna do plenário. Mas líderes podem pedir a palavra a qualquer momento. Após o PMDB se manifestar, com cinco parlamentares da legenda, a vez seria do PT, mas o líder do governo, José Guimarães (CE), que interrompeu a sequência para pedir a palavra.

Guimarães disse que um impedimento do mandato de Dilma Rousseff não é saída para a crise econômica enfrentada pelo país. Lembrou que o governo foi republicano e ajudou muitos estados -- citando o Espírito Santo, estado do deputado Leo Coimbra (PMDB-ES), um dos críticos ao governo e que falou minutos antes. Sem citar nomes, Guimarães fez uma crítica ao vice-presidente Michel Temer, que, segundo ele, já estaria negociando uma equipe e governo, caso o impeachment seja aprovado. Ele fez uma comparação dizendo que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva usa um escritório, em um hotel de Brasília, para negociar apoio à manutenção do mandato de Dilma, e não uma residência oficial. "É mais grave estar no hotel articulando ou estar no [Palácio do] Jaburu ? [residência da vice-presidência, recebendo deputados e dividindo ministérios]", perguntou.

Guimarães voltou a classificar o processo de impeachment como "golpe de quem não tem votos para comandar o país" e completou chamando o país para uma repactuação nacional a partir da próxima segunda-feira (18), um dia depois da votação do processo na Câmara, prevista para começar às 14h. "Está-se constituindo uma saída para o Brasil que é o [vice-presidente Michel] Temer presidente e [presidente da Câmara, Eduardo] Cunha como vice. É essa a saída para o Brasil? Não me parece ser o melhor caminho. Não podemos enveredar por este caminho da maldade que só tem por objetivo punir a presidente Dilma", disse.

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Para o petista, está claro que não há crime de responsabilidade e argumentos jurídicos que comprovem um crime de responsabilidade, que justifique um impeachment. "Porque temos que derrotar o golpe travestido de impeachment? Porque não tem causa, não tem fundamento. Vamos cassar porque estamos insatisfeitos. Não podemos cometer essa injustiça contra um ser humano", alertou. Guimarães ainda disse que desemprego e inflação não são motivos para cassação de mandato e afirmou estar otimista já que, segundo ele, o governo tem 200 votos. Seriam necessários 175 dos 513 para evitar a continuidade do processo contra Dilma. A oposição segue afirmando ter os 342 votos, os dois terços dos votos dos deputados necessários para o andamento do impeachment.

Oposição

Pela oposição, Antonio Imbassahy (BA), líder do PSDB, afirmou que os defensores de Dilma Rousseff não negam as infrações ponto a ponto, mas seguem com discursos "tentando desviar o foco central" da denúncia. "O PT que agora prega o respeito a Constituição em defesa do mandato da presidente Dilma é o mesmo que votou contra o texto da Constituição de 1988, que apoiou mais de 50 pedidos de impeachment contra o presidente FHC [Fernando Henrique Cardoso], Itamar e Collor. A própria presidente já manifestou ter recorrido a manobras ilegais ao tentar se justificar", atacou.

Imbassahy ainda criticou a exposição do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), José Eduardo Cardozo, que apresentou a defesa da presidente. Segundo ele, o tom de Cardozo confirma a tendência de derrota do governo. "O ministro se apega a uma afirmação falaciosa digno de quem sabe que será derrotado. De uma presidente que não respeita a Constituição, tudo pode se esperar", afirmou. Segundo o tucano, há provas claras de que houve infração da lei orçamentária e prática de crime de responsabilidade com a maquiagem das contas e emissão de decretos legislativos sem autorização do Congresso.

"O Brasil não merece ser comandado por uma presidente que mentiu para o país", afirmou, conclamando os deputados a dar uma "chance de recomeço" para o país.

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