Deputados pró-impeachment poderão abrir mão de fala para acelerar discussões

Paulo Victor Chagas e Ivan Richard - Repórteres da Agência Brasil

Deputados favoráveis ao impeachment estudam propor um acordo para acelerar as discussões e impedir que o processo se prolongue até segunda-feira (18). Uma das possibilidades é reduzir as falas pró-impeachment durante o segundo dia de debates, previsto para o final da manhã de hoje (16), pois o número de inscritos para defender o afastamento da presidenta Dilma Rousseff é maior que o de contrários ao processo.

Ao todo, 249 deputados inscreveram-se para falar neste sábado, sendo 79 contrários ao afastamento de Dilma e 170 favoráveis. Receosos de abdicarem de todas as defesas pró-impeachment e, assim, permitirem que os governistas acabem convencendo deputados indecisos, a oposição pretende contrapor os governistas fazendo com que o último orador que se manifeste seja contra o impeachment. Depois, a ideia é convencer os demais inscritos para falar favoravelmente ao parecer pela admissibilidade do impeachment a abrirem mão de discursar.

Outra hipótese levantada pelos parlamentares pró-impeachment é pedir que os líderes não utilizem a palavra em todas as sessões de discussão. De cinco em cinco horas, uma nova sessão é iniciada, o que possibilita aos líderes partidários se pronunciarem pelo tempo proporcional ao tamanho de suas bancadas. Legendas maiores, como PMDB, têm direito a nove minutos, e as menores, como PHS e Rede, podem falar por no máximo três minutos.

Na manhã de hoje está prevista uma reunião com deputados da oposição para discutir o assunto. Mais de dezoito horas após o plenário iniciar os debates, apenas 11 dos 25 partidos utilizaram a palavra até este momento.

Mais cedo, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), admitiu a possibilidade de haver encerramento de discussão para que os debates terminem às 11h de domingo. Pelo cronograma definido por ele, a sexta-feira seria para apresentação da acusação e da defesa, além da fala dos partidos. Já no sábado, seria dada palavra aos deputados que se inscreveram para falar até as 11h de ontem (16) e a votação no domingo.

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