Dois dos 4 deputados da Rede defendem nova eleição; Molon é contra o impeachment

Felipe Pontes - Repórter da Agência Brasil

Durante uma hora, período que seu partido teve para se pronunciar sobre o pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, dois deputados do partido Rede Sustentabilidade, Ariel Machado (PR) e João Derly (SP), cobraram que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julgue o processo que pede a impugnação da chapa Dilma-Temer por irregularidades nas eleições de 2014. Ambos defenderam a realização de um novo pleito presidencial.

Eles divergiram, no entanto, quanto ao afastamento da petista: Machado é contra, Derly, a favor. Terceiro deputado da Rede a discursar, Alessandro Molon (RJ) se posicionou contra o impeachment.

"Há fortes indícios, mostrados pela Operação Lava jato, de que a campanha se beneficiou de dinheiro oriundo do 'petrolão'", disse Derly, referindo-se às descobertas da Operação Lava Jato. Ele também criticou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a quem acusou de se valer do cargo para protelar o processo de cassação de seu mandato na Comissão de Ética. Por fim, se disse a favor do impedimento da presidenta: "Os elementos jurídicos que permitem a admissibilidade do impeachment estão mais do que dados".

Em um discurso exaltado, Machado iniciou sua fala afirmando que "o sistema politico brasileiro está falido" para, em seguida, criticar o vice-presidente Michel Temer por realizar articulações políticas no Palácio do Jaburu. "Se esse governo que foi eleito nas urnas, com todos os seus erros, não está sendo capaz de fazer as mudanças necessárias ao país, imagine um governo que não tem um voto", disse ele, questionando a legitimidade de um eventual governo do PMDB e posicionando-se contra o impeachment. "Uma nova eleição neste momento é a única forma de trazer legitimidade a esse processo", afirmou o deputado paranaense.

Sem entrar no tema de novas eleições, Molon fez uma desconstrução minuciosa dos argumentos presentes no pedido de impeachment para, em seguida, dizer que votar a favor do afastamento da presidenta resulta num duplo desrespeito à vontade popular expressa nas urnas.

"Cada um pode desejar o que quiser, mas é inconstitucional usar esse Parlamento para dizer que aqui se pode escolher se o governo pode ficar ou não", disse o deputado. "Se essa casa pensar em aprovar o impeachment, ela desrespeita duas decisões: a decisão das urnas em 2014 e a decisão do povo brasileiro que escolheu o presidencialismo, e não o parlamentarismo, em 1993. Será um duplo desrespeito à cidadania brasileira."

A Rede tem mais um deputado, Miro Teixeira (RJ), que não se pronunciou em plenário.

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