Manifestantes a favor e contra impeachment iniciam maratona de mobilizações

Mariana Tokarnia e Felipe Pontes - Repórteres da Agência Brasil

Concentrados em acampamentos montados nas proximidades da Esplanada dos Ministérios, manifestantes favoráveis e contrários ao afastamento da presidenta Dilma Rousseff iniciaram hoje (17) uma maratona de mobilizações que seguirá até o desfecho da apreciação da admissibilidade do impeachment da presidenta no plenário da Câmara.

No acampamento de manifestantes que desejam a derrubada da presidenta, montado no Parque da Cidade, na região central da capital, o clima era de otimismo com a possibilidade de aprovação do afastamento de Dilma Rousseff. Os presentes realizavam reuniões de planejamento para uma vigília que pretende virar a noite em frente ao Congresso Nacional.

"Não tem negócio", disse a empresária catarinense Dileta Corrêa da Silva, referindo-se à queda da presidenta petista. "Com impeachment ou sem impeachment a resistência vai continuar", acrescentou ela, que está acampada em Brasília há 26 dias e lidera um grupo denominado União Patriótica Nacional, uma dentre as cerca de uma dezena de denominações que se reúnem no local. Alguns pedem a intervenção militar. Todos planejam seguir em marcha para a Esplanada dos Ministérios a partir das 17h.

A manhã de hoje (16) no acampamento da Frente Brasil Popular, no estacionamento do Ginásio Nilson Nelson, na região central de Brasília, foi dedicada ao Ato com Movimentos Sociais pela Democracia. Os manifestantes contrários ao impeachment se reuniram em uma tenda branca desde cedo.

A expectativa era de que a presidenta Dilma Rousseff discursasse, mas minutos antes do início do ato, a Presidência informou que ela se reuniria com lideranças partidárias. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva compareceu ao ato e discursou para 1,5 mil pessoas. O ex-presidente reforçou que um impeachment sem base legal é um golpe contra a democracia.

Representantes de entidades como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a União Nacional dos Estudantes (UNE) mostraram-se convencidos de que o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff não será aprovado amanhã (17) pelos deputados.

Apesar de desejarem a continuidade do governo do PT, eles fazem ressalvas: reivindicam a democratização dos meios de comunicação, não querem mais cortes em programas sociais nem na educação e descartam o aumento de impostos.

"Queremos, sim, uma Pátria Educadora, que não vimos até agora, queremos os 10% do PIB [Produto Interno Bruto] para a educação", disse a presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral, citando o lema do governo Brasil, Pátria Educadora. O ato encerrou-se por volta das 12h com o grito de guerra: "Não vai ter golpe! Vai ter luta". À tarde estão agendadas mesas de debate e atividades culturais. A partir das 16h, os manifestantes sairão em marcha, o trajeto será decidido ainda durante a tarde.

Dezenas de ônibus com manifestantes tanto favoráveis como contrários ao impeachment não param de chegar aos dois acampamentos. Os dois lados aguardam a presença de cerca de 200 mil pessoas neste domingo na Esplanada dos Ministérios, que foi dividida em dois lados por um alambrado de 2 metros de altura e um corredor de 80 metros de largura ocupado pelas forças de segurança.

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