Mais de três mil manifestantes já estão na Esplanada dos Ministérios

Mariana Branco e Kelly Oliveira - Repórteres da Agência Brasil

Brasília - Com a votação do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados neste domingo, governo do DF reforçou a segurança para separar manifestantes pró e contra o parecer na votaç

Brasília - Com a votação do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados neste domingo, governo do DF reforçou a segurança para separar manifestantes pró e contra o parecer na votaçãoMarcello Casal Jr/Agência Brasil

A secretaria de Segurança Pública e Paz Social do Distrito Federal informou que, pela manhã, a maioria dos manifestantes na Esplanada dos Ministérios se concentravam do lado sul, reservado aos grupos favoráveis ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff. De acordo com boletim da secretaria, por volta de 11h20 cerca de 3 mil pessoas se concentravam no local.

No mesmo horário, cerca de 6 mil pessoas contrárias ao afastamento da presidenta ainda estavam no acampamento do ginásio Nilson Nelson, próximo à Esplanada. A expectativa é de que elas marchem em direção à Esplanada após o almoço para acompanhar a votação da admissibilidade do impechment, prevista para começar às 14h no planário da Câmara. O número de pessoas no acampamento, segundo a secretaria, é o dobro do registrado na noite de sábado (16).

No lado sul, vendedores ambulantes e barracas de comida foram instaladas ao longo da Esplanada. Havia também venda de água, camisetas verde e amarela, bandeiras, bonés, chapéus e apitos. Os manifestantes começaram a ocupar o espaço vestindo roupas verde e amarela e alguns levavam faixas pedindo a saída da presidenta. Dois carros de som já estavam no local.

O professor Humberto Sandmann, 34 anos, chegou por volta de 11h acompanhado da mãe, Isabel Rodrigues, de 77 anos, e da namorada Monique Benedita Garcia, de 32 anos. Eles viajaram por 10 horas de carro de Limeira, em São Paulo, para Brasília. "A gente está aqui pela democracia, para pressionar [os deputados] mesmo", disse.

Para a pensionista Isabel, vir à Brasília é uma forma de manifestar insatisfação com a situação econômica e social do país. "Estou cansada de pagar imposto, dos preços altos, de ir ao mercado não conseguir comprar o que preciso, de ir ao posto e não ter remédio e de não ser atendida".

Os palhaços e vendedores ambulantes Carlos Alberto do Santos Carvalho, de 28 anos, e Marco Aurélio de Paula, 40 anos, moradores do Distrito Federal, também escolheram o lado sul da Esplanada. Eles se preparavam para participar da manifestação pintando o rosto de palhaço, nas cores verde e amarelo. "Eu ia comprar camiseta e boné, mas estava com o meu material de palhaço aqui e resolvi pintar o rosto, em vez de gastar dinheiro", disse Carlos. Maro Aurélio disse que defende a saída da presidenta Dilma Rousseff, mas afirmou que está "inseguro por conta da sucessão".

O analista de Tecnologia da Informação Cláudio Wagner Gomes, de 45 anos, trouxe o filho de um ano, a mulher e a sogra para a Esplanada, mas por estar com um bebê, disse que ficaria pouco tempo. "O brasileiro tem que vir para a rua para mostrar que quer mudança, mesmo que seja um pouquinho para depois ir embora", disse.

Nas proximidades da Esplanada, na Praça Portugal, no Setor de Administração Sul, caravanas de agricultores, organizadas pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA) chegavam para se preparar para a participação das manifestações na Esplanada. Os participantes receberam cartazes, camisetas, almoço e água. No local também foi instalada uma tenda para cobrir do sol, um boneco inflável do juiz Sérgio Moro vestido de super-homem e um trator inflável com 10 metros de altura, 35 metros de comprimento e 15 metros de largura, fabricado nas cores da bandeira nacional. No início da tarde, os agricultores seguem para o lado sul da Esplanada.

Contra o impeachment

No lado norte da Esplanada, o clima pela manhã era de tranquilidade e lentamente chegavam os apoiadores de Dilma Rousseff, que se aglomeram junto ao alambrado instalado em frente ao Congresso Nacional. Dois carros de som, ainda desligados, estavam estacionados no gramado. Houve quem aproveitasse o trânsito fechado para andar de bicicleta ou correr.

Os manifestantes usavam camisetas vermelhas, brancas e de movimentos sociais. Alguns preferiram a cor branca, como a psicóloga Adriana Silva da Fonseca, 44 anos. Ela veio de Crato, no Ceará, com a mãe, a aposentada Josefina Fonseca, 66 anos, na quinta-feira e estão hospedadas em um hotel da capital. Segundo Adriana, que levou também uma bandeira do Brasil, usar branco simboliza o desejo de paz entre os manifestantes.

"Antes de tudo, o que a gente realmente queria é que não houvesse uma disputa. Mesmo sendo jovem, estive nas ruas para o pedido das Diretas Já e acredito que a saída de Dilma não será uma solução. Ela se elegeu e tirá-la dessa maneira é golpe", opinou Adriana.

A professora aposentada Maria Feiges, 69 anos, estava de azul, mas pretendia comprar uma camisetas contra o impeachment, vendidas por ambulantes no local. "Estou acompanhada de uma amiga com os filhos e, mais tarde, quando ela e as crianças forem embora, vou comprar a camiseta. Estou torcendo para que Dilma permaneça e para que as apurações da Lava Jato continuem", afirmou.

As primas Dirce Mendes Fonseca, 62 anos, e Marília Fonseca, de 63, ambas professoras, levaram água, chapéus e comida com o objetivo de ficar na Esplanada o maior tempo possível. As duas esperam que o impeachment seja barrado. "A expectativa para hoje é que o golpe não vai passar. Vamos lutar para respeitarem a decisão das urnas", afirmou Marília. Já Dirce disse não temer confrontos com o grupo contrário. "O confronto é muito mais político do que físico e acho que o confronto político é necessário", afirmou.

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