Senadores fazem corpo a corpo na Câmara em busca de votos

Pedro Peduzzi - Repórter da Agência Brasil

Enquanto as lideranças partidárias faziaem discursos na tribuna do plenário da Câmara dos Deputados, a fim de orientar as bancadas sobre a votação do pedido de abertura de processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, senadores contrários e favoráveis ao impedimento fazem corpo a corpo na tentativa de conquistar votos que podem ser decisivos.

O vice-líder do PT no Senado, Lindibergh Farias (PT-RJ), disse hoje (17) que toda a bancada petista está atuante neste domingo, e assim ficará até o último momento, na tentativa de evitar que o processo de impeachment de Dilma avance na Casa e siga para o Senado. "Vamos barrar esse golpe aqui na Câmara e, a partir de segunda-feira, começaremos um novo governo e adotaremos as medidas necessárias para recuperar a economia. Toda nossa bancada está aqui com o propósito de fazer um corpo a corpo até o último minuto", disse o senador. Segundo ele, esse "novo governo" terá a ajuda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para se reaproximar da sociedade civil e fazer uma "ampla reforma ministerial" que possibilite a adoção de políticas "voltadas para os mais pobres".

Caso o impedimento de Dilma seja aprovado pelo plenário da Câmara, Lindbergh prevê dificuldades políticas para Michel Temer. "Na hipótese de passar, nós não reconheceremos o Michel Temer como presidente legítimo. O que está sendo feito por ele e sua tropa de choque mostra exatamente como será o seu governo, que já nascerá completamente loteado. Não respeitaremos a figura do Temer porque ele não tem responsabilidade para assumir esse cargo. Ele é um conspirador."

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) diz que a atuação da bancada de senadores governistas na Câmara se deve ao cenário ainda indefinido. "É difícil neste momento trabalhar com números. Ninguém tem certeza de nada, mas nossa aposta é resolver isso ainda hoje aqui na Câmara. Viemos questionar essa tentativa de golpe e dizer aos deputados que não é correto a democracia ser ferida desse modo", disse Gleisi. Segundo a senadora, as manifestações de hoje, contrárias ao impeachment, deverão ajudar os governistas nesse sentido. "Parte da sociedade está firme contra o golpe. Os movimentos sociais estão atentos e, sem violência, dispostos a lutar contra ele."

Para o senador Lindbergh, "as manifestações pró-impeachment estão cada vez menores porque a população descobriu que estava sendo manipulada", ao ter sido convocada para manifestações que, a princípio, era em favor da democracia e das investigações mas, posteriormente, foram noticiadas como sendo a favor da deposição de uma presidenta "que sequer responde a um inquérito, em um processo que é patrocinado por Eduardo Cunha".

Pelo lado da oposição, os senadores Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Romero Jucá (PMDB-RR) transitavam entre o plenário e o Salão Verde já defendendo que, se aprovado na Câmara, o processo seja tocado de forma célere no Senado Federal. "É muito importante que o Senado acelere o tramite, porque nesse meio tempo o país não terá governo", disse Caiado.

Com discurso similar ao de Caiado, no sentido de defender uma eventual urgência na tramitação do impeachment no Senado, o presidente do PMDB, Romero Jucá (RR), diz que o seu partido abre mão da relatoria do impeachment na Casa, caso seja aprovado na Câmara. "Essa questão vai ainda ser discutida, mas talvez não seja prudente o PMDB indicar o relator, uma vez que seria beneficiado" disse Jucá, preocupado com o risco de o processo ser judicializado, o que o atrasaria ainda mais. "A decisão terá de ser rápida para que o país volte a andar", completou.

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