Gaúchos comemoram e lamentam aprovação do pedido de impeachment

Daniel Isaia - Correspondente da Agência Brasil

No instante em que o deputado Bruno Araujo (PSDB-PE) terminou de proferir o voto 342 a favor da admissibilidade do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, multidões reunidas em dois pontos de Porto Alegre viveram emoções opostas. No Parque Moinhos de Vento (Parcão), região central da cidade, milhares de pessoas favoráveis ao processo explodiram em alegria. A quatro quilômetros dali, na Praça da Matriz, centro histórico da capital gaúcha, outras tantas pessoas lamentaram o resultado da votação na Câmara dos Deputados.

Do lado dos vitoriosos, a comemoração tomou conta da Avenida Goethe, que contorna o Parcão. A trilha sonora da festa ficou por conta do caminhão de som, que passou a executar músicas com letras de ataque ao Partido dos Trabalhadores (PT), ao governo Dilma e ao ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. A celebração contou até mesmo com fogos de artifício. As ruas próximas ao parque foram tomadas de carros enfeitados com bandeiras do Brasil, que desfilaram entre buzinas e gritos de comemoração.

No meio da Avenida Goethe, o empresário Bolívar Fagundes festejou o resultado com a esposa. Ele ressaltou que a votação dos deputados refletiu a vontade do povo que, segundo ele, está cansado da corrupção e da impunidade. "A partir de agora, eu espero que a vigilância da Polícia Federal e da Justiça faça com que os políticos pensem duas vezes antes de cometer algum crime, e que a moral e a ética sejam restabelecidas no País", afirmou Fagundes.

O advogado Roberto Lopes também comemorou o resultado, mas lamentou o fato de um processo de impeachment ser aprovado pela segunda vez desde a redemocratização. "A gente está tendo que enfrentar isso de novo, mas eu espero que seja uma ruptura por uma série de questões antigas e históricas. Que a gente consiga, a partir de agora, trazer novos políticos para se ver livre desses problemas e fazer um novo Brasil", destacou Lopes.

Foco na próxima "batalha"

Tão logo a votação dos deputados definiu pela aceitação do processo de impeachment, as lideranças de partidos e de movimentos sociais na Praça da Matriz decidiram se dirigir à multidão derrotada. O tom dos discursos foi de encorajamento, motivando a militância a se manter mobilizada para o "segundo tempo", que será a votação no Senado.  As lideranças afirmaram, ainda, que haviam acabado de testemunhar uma "farsa" e atacaram o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha.

O resultado deixou a multidão inconformada com os votos dos deputados. A professora Maria das Graças Corrêa lamentou que alguns parlamentares tenham contrariado a sua expectativa e se manifestado a favor do impeachment. O conteúdo dos discursos também deixou Maria incomodada: "São pessoas raivosas, com ódio no coração, que nunca se conformaram com tudo o que o PT fez de bom pelos pobres desse Brasil".

Outro professor presente na Praça da Matriz, Manoel José da Silva, também criticou as falas dos deputados. "Eles usam o combate à corrupção, o bem do povo, o amor à família, para defender o indefensável ? que é a quebra da democracia", ressaltou. Silva afirmou, ainda, que o processo de impeachment é "um grande oportunismo" dos parlamentares da oposição ao governo Dilma.

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