Grupos pró e contra impeachment planejam novas ações em Belo Horizonte

Leo Rodrigues - Correspondente da Agência Brasil

manifestantes acompanham votação em Belo Horizonte

Manifestantes em BH comemoram voto da deputada Maria do Rosário (PT)Leo Rodrigues/

Se depender dos grupos que organizam em Belo Horizonte as manifestações favoráveis e contrárias ao afastamento da presidenta Dilma Rousseff, a mobilização não se dispersa com a decisão tomada pela Câmara dos Deputados na noite deste domingo (17). Os parlamentares aprovaram a admissibilidade do pedido de impeachment e agora o processo segue para o Senado.

Na Praça da Estação, onde manifestantes que não concordam com o afastamento assistiam a sessão dos deputados em um telão, lideranças da Frente Brasil Popular de Minas Gerais subiram ao palco para apresentar uma agenda de lutas tão logo foi anunciado o 342º voto que consagrou o resultado.

A próxima atividade será nesta segunda-feira (18), quando será feita uma plenária na Praça da Assembleia, às 18h, para traçar estratégias. O primeiro a se pronunciar após a confirmação da decisão da Câmara dos Deputados foi o deputado estadual do PT, Rogério Correia. "Nós vamos já preparar a luta a partir de amanhã. Hoje nós perdemos uma partida de futebol, mas o campeonato ainda não acabou. A partida de hoje foi jogada no campo do adversário. O que aconteceu hoje foi uma decisão tomada por um Congresso de direita ideologicamente e moralmente corrupto".

Correia disse também que está nos planos uma greve geral. "Agora vamos jogar a batalha no nosso campo, que é nas ruas, nas escolas, no trabalho, no campo. Vamos seguir travando a luta dos negros, das mulheres, dos homossexuais. Mas a batalha vai ter que ser mais planejada, mais organizada e mais contundente. Nós já estamos apontando junto com centrais sindicais e sindicatos a importância de uma greve geral no país".

Outro petista que acompanhou a votação com os manifestantes até o final foi Nilmário Miranda, ex-ministro de Direitos Humanos durante o mandato do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e atual secretário de direitos humanos do governo mineiro. "Os deputados aprovaram um relatório sem mencionar o relatório. Falaram de seus mães, de seus filhos, de seus deuses, mas não justificaram a existência de crime de responsabilidade. Porque a presidenta não cometeu crime algum. Então hoje nós tivemos uma grande lição. Esse resultado mostra que precisamos avançar muito ainda na democracia e nós precisamos manter a unidade para manter a luta".

Cartazes
Os grupos favoráveis ao impeachment também já planejam novas ações. O Patriotas pretende espalhar pela capital mineira cartazes com o nome de todos os parlamentares mineiros que votaram contra o impeachment. O objetivo é convocar a população a não votarem nestes deputados no futuro. "Iremos manter um movimento vigilante da política", diz um dos membros do grupo, o bancário Marcos Vinícius Peixoto Pimenta.

Caso o Senado confirme que Michel Temer seja o novo presidente da República, o Patriotas também já definiu seu posicionamento. Haverá apoio em um primeiro momento, mas o movimento informa que estará atento a eventuais deslizes. "Nós não estamos abraçados com o Temer, mas ele é a porta que nós temos. Talvez a única no momento", disse Marcos Vinícius Pimenta.

Esta será também a postura que o movimento Vem Pra Rua pretende adotar. "Vamos apoiar enquanto ele estiver fazendo o que é correto e denunciá-lo e combatê-lo se começar a fazer o que o governo atual está fazendo. Não temos interesse em ser partido, queremos fazer controle social", disse a médica Kátia Pegos, uma das líderes do grupo.

É golpe ou não?
Em evento no último sábado (16) no Espaço do Conhecimento UFMG, o cientista político Bruno Reis, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) considerou que haverá uma disputa pela narrativa deste momento histórico. "A Lei de Responsabilidade Fiscal é vaga o suficiente para abrir espaço para interpretações diversas e eventualmente abusivas. Abre, portanto, espaço para a controvérsia se é golpe ou não. Será uma discussão eterna", diz.

Apesar de admitir a possibilidade de outras visões, Reis defende uma posição. "Eu considero que é um golpe parlamentar, uma manobra. Estes setores que estão se mobilizando para se livrar da Dilma, confiam mais no Michel Temer para fazer o que eles acham que precisa fazer. E aí se moveram nesta direção, para buscar um jeito de enquadrar a presidenta em um crime de responsabilidade. Não é um golpe militar, com tanque e intervenção na rua. É algo mais de bastidores, mas as pessoas estão manobrando politicamente dentro do que as regras possibilitam".

A leitura do cientista político não é compartilhada pela coordenadora de projetos Carla Monteiro Girodo, integrante do movimento Vem pra Rua. Ela entende que o discurso de golpe não tem fundamento. "Eu acredito que golpe quem deu foi a Dilma Rousseff com o estelionato eleitoral. Golpe é você usurpar o dinheiro dos brasileiros a partir da corrupção e usar para políticas populistas. Golpista é quem usa dinheiro público para financiar interesses de seu grupo político".

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