Fundador de grupo de extrema direita é julgado por incitação ao ódio na Alemanha

Aline Moraes - Correspondente Agência Brasil

Começou nesta terça-feira (19), em Dresden, no leste da Alemanha, o julgamento do alemão Lutz Bachmann, de 43 anos, que fundou o movimento de extrema direita, anti-imigração, conhecido pela sigla Pegida, que significa "Patriotas Europeus contra a Islamização do Ocidente". A denúncia foi feita em outubro do ano passado.

Bachmann é acusado de incitar o ódio contra refugiados por meio de mensagens publicadas nas redes sociais, nas quais eles são chamados de "gado", "ralé" e "escória". "Nós o acusamos de insultar solicitantes de asilo em um comentário publicamente acessível no Facebook. E também por negar aos refugiados uma vida igualitária na Alemanha", disse o promotor Lorenz Haase.

A pena determinada pela lei, em casos como esse, é de três meses a cinco anos de prisão. O veredito deve sair no dia 10 de maio. O líder do Pegida não se manifestou no tribunal, mas, por meio da defesa, negou todas as acusações. A argumentação é de que Bachmann não é o autor do texto, publicado em setembro do ano passado.

Além de ter criado o grupo de extrema direita, Bachmann tem, em seu histórico, condenações por roubo e tráfico de drogas. Chegou a fugir para a África do Sul, em 1998, para não cumprir sentença, mas foi extraditado e passou um ano e dois meses na prisão em Dresden.

Hoje, na chegada ao tribunal, Bachmann e a esposa apareceram usando óculos escuros pretos retangulares, em referência às tarjas pretas usadas para censurar imagens. Do lado de fora, algumas pessoas demonstraram apoio a ele e gritavam "Nós somos o povo", frase bastante usada pelos seguidores do Pegida. Desde 2014, o grupo mobilizou dezenas de milhares de pessoas nas ruas de Dresden, com auge em Janeiro de 2015, e se espalhou para outras cidades da Alemanha e de outros países europeus.

Ataques a abrigos

Ao mesmo tempo em que os movimentos de extrema-direita ganharam força nas ruas, aumentaram também os ataques a abrigos para refugiados. As autoridades alemãs registraram, no ano passado, mais de mil ocorrências desse tipo, número cinco vezes maior do que os de 2014.

Na mais recente ação da polícia, cinco suspeitos de realizarem alguns desses ataques na cidade de Freital, próxima a Dresden, foram detidos nesta terça-feira. Mais de 200 agentes participaram da ação, liderada por um grupo de elite da polícia alemã de combate ao terrorismo.

Os detidos - quatro homens entre 18 e 39 anos e uma mulher de 27 - são acusados de formar a organização de extrema direita "Grupo Freital", que, segundo as investigações preliminares, tinha como objetivo realizar ataques com explosivos em abrigos para refugiados e nas residências de opositores políticos. Eles também são acusados de lesão corporal grave e tentativa de homicídio.

Nas buscas em residências, a polícia diz ter encontrado pilhas de fogos de artifícios de origem tcheca, que seriam usados em ataques - na Alemanha, a venda de fogos é proibida, com exceção de um curto período próximo ao Ano Novo. O Ministro do Interior alemão, Thomas de Maiziere, disse que a ação representa "um golpe poderoso contra uma estrutura terrorista regional de extrema direita", e que foi capaz de prevenir novos ataques.

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