Contas externas têm déficit de US$ 855 milhões, o menor desde agosto de 2009

Kelly Oliveira - Repórter da Agência Brasil

As contas externas fecharam o mês de março com déficit de US$ 855 milhões, de acordo com dados do Banco Central (BC) divulgados hoje (20). É o menor saldo negativo das transações correntes - as compras e vendas de mercadorias e serviços e transferências de renda do país com o mundo - desde agosto de 2009, quando ficou em US$ 828 milhões. No mesmo mês do ano passado, o déficit foi bem maior: US$ 5,759 bilhões.

No primeiro trimestre deste ano, o déficit ficou em US$ 7,591 bilhões, contra US$ 25,099 bilhões no mesmo período de 2015.

No balanço das transações correntes, a conta de renda primária (lucros e dividendos, pagamentos de juros e salários) apresentou saldo negativo de US$ 2,449 bilhões.

A conta de serviços (viagens internacionais, transportes, aluguel de equipamentos, seguros, entre outros) contribuiu para o resultado negativo com US$ 2,904 bilhões.

A conta de renda secundária (gerada em uma economia e distribuída para outra, como doações e remessas de dólares, sem contrapartida de serviços ou bens) apresentou resultado positivo de US$ 240 milhões.

A balança comercial contribuiu para reduzir o déficit das contas externas, ao apresentar superávit de US$ 4,258 bilhões.

Mesmo assim, o país gastou além de sua renda. Quando isso ocorre, é preciso financiar esse resultado negativo com investimentos estrangeiros ou tomar dinheiro emprestado no exterior. O investimento direto no país (IDP), recursos que entram no Brasil e vão para o setor produtivo da economia, é considerado a melhor forma de financiar por ser de longo prazo.

No mês passado, o IDP chegou a US$ 5,557 bilhões e foi mais do que suficiente para cobrir todo o déficit em transações correntes. No primeiro trimestre, esses investimentos somaram US$ 16,933 bilhões.

O país também registrou entrada de investimento em ações negociadas em bolsas de valores no Brasil e no exterior e em fundos de investimento, no total de US$ 2,027 bilhões em março, e de US$ 2,901 bilhões no primeiro trimestre de 2016. Houve saída líquida de investimento em títulos negociados no país de US$ 1,965 bilhão, no mês passado, e de US$ 7,070 bilhões, de janeiro a março deste ano.

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