Casa do Choro abre festival e programa 230 shows no Rio

Paulo Virgílio - Repórter da Agência Brasil

Inaugurada no ano passado, por ocasião do Dia Nacional do Choro, comemorado em 23 de abril, aniversário do músico e compositor Pixinguinha (1897-1973), a Casa do Choro, no  Rio, só agora entra em plena atividade. Além de festejar mais uma vez a data que homenageia o gênero nascido na cidade e considerado por Villa-Lobos "a alma musical do povo brasileiro", o espaço abriga até o próximo sábado (23) a maior parte da programação do 7º Festival Nacional do Choro.

Instalada em um sobrado da Rua da Carioca, no Centro, construído em 1902, com arquitetura de inspiração mourisca, a Casa do Choro funcionou em seu primeiro ano de forma precária, realizando, durante oito meses, uma programação de shows no auditório de 120 lugares. "Sem patrocínio, contamos apenas com o esforço dos músicos que abraçaram o projeto", diz o coordenador do Instituto Casa do Choro, Paulo Aragão.

Para implantar o espaço cultural, a instituição contou com um apoio financeiro do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, patrocínio da Petrobras e incentivo da Lei Rouanet. Os recursos iniciais foram suficientes apenas para a restauração do prédio, que, embora tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural, estava em ruínas ao ser cedido pelo governo fluminense. Faltavam as condições para o efetivo funcionamento como centro de formação e difusão musical.

"Ao longo do ano passado conseguimos o patrocínio para mobiliar a casa, que agora está equipada, com salas de aula com aparelhagem de som de última geração. O auditório, que estava funcionando sem um projeto acústico, agora tem esse tratamento e não é exagero dizer que temos uma das melhores salas desse porte no Rio", conta Aragão.

Até sexta-feira (22) a Casa do Choro terá programação didática de workshops, aulas práticas (para músicos e estudantes de música) e expositivas (para estudantes e interessados em choro), além de depoimentos de personalidades como Hermínio Bello de Carvalho e Déo Rian.

No sábado (23), um palco armado na vizinha Praça Tiradentes abrigará das 12h às 21h uma sequência de sete shows para celebrar o Dia Nacional do Choro. Entre outros, vão se apresentar os músicos Mauro Senise, Gilson Peranzetta, Adelson Vian, Kiko Horta e o  homenageado desta edição, o pianista, compositor e arranjador Cristóvão Bastos.

Logo após o festival, a Casa do Choro dará início a uma temporada de 230 shows até o final do ano. Serão duas séries patrocinadas pela Secretaria Municipal de Cultura e pela Petrobras. O Choro das Seis e Meia terá apresentações de segunda a quinta-feira, às 18h30, e os Saraus Petrobras, às sextas, sábados e domingos, em dois horários, às 12h30 e às 18h30.

Além de se apresentarem na Casa do Choro, os músicos poderão ensaiar e gravar discos. "O auditório funcionará como estúdio de gravação, suprindo uma necessidade para a cidade, que assistiu nos últimos anos ao fechamento de muitos bons estúdios", conta Paulo Aragão.

Além de disponibilizar em seu site  um acervo com mais de 15 mil partituras relacionadas ao repertório do gênero, o Instituto Casa do Choro é responsável pela Escola Portátil de Música, que, desde o ano 2000, formou cerca de 10 mil alunos.

Com aulas na Universidade Federal do Estado do Rio, onde atualmente estão matriculados cerca de 1.100 estudantes, a escola abriu inscrições para cursos regulares em seu núcleo na Casa do Choro, onde, a partir de maio, 200 alunos poderão ter formação musical no gênero.

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