Sindicato defende veto a projeto que acaba com cobradores de ônibus em BH

Léo Rodrigues - Correspondente da Agência Brasil

Diretores do Sindicato dos Rodoviários de Belo Horizonte e Região (STTRBH) saíram otimistas de uma reunião na manhã de hoje (26) com o prefeito da capital mineira, Márcio Lacerda. A categoria espera o veto do gestor ao Projeto de Lei Municipal 1.881/2016, que permite às empresas de ônibus substituir os cobradores por sistemas eletrônicos de bilhetagem. 

"Houve uma sinalização positiva do prefeito. Ele foi claro ao dizer que projeto está fora da realidade pela qual passa o país. Num quadro de recessão, vai gerar mais desemprego. Acreditamos que ele vai vetar", disse José Márcio Ferreira, diretor de comunicação do STTRB.

Também participaram da reunião representantes da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), responsável por gerenciar e fiscalizar o transporte e o trânsito na cidade. Em nota, o órgão informou que a prefeitura também ouviu esta manhã representantes do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Belo Horizonte (Setra/BH) e que as entidades deverão chegar a um consenso e apresentar uma alternativa para adequação dos procedimentos de cobrança das tarifas, mas "levando em conta o momento econômico atual e buscando reposicionar os profissionais em outras atividades do setor".

O encontro ocorreu após paralisação dos rodoviários realizada ontem (25) entre 0h e 12h. Segundo Ferreira, o balanço da mobilização foi positivo. "Tivemos uma adesão global de 50%. Em alguns terminais, houve paralisação total. O mais importante, porém, é ter atingido o objetivo de sensibilizar o Poder Público."

Para minimizar os impactos da paralisação, a BHTrans fez uma operação de emergência, com apoio da Polícia Militar para garantir condições de trabalho dos motoristas que não aderiram ao movimento. Também houve aumento no número de viagens do metrô.

Projeto

De autoria do vereador Autair Gomes (PSC), o Projeto de Lei Municipal 1.881/2016 foi aprovado pela Câmara Municipal de Belo Horizonte na semana passada. Para ter validade, depende agora de sanção do prefeito Márcio Lacerda.

Segundo o projeto, ficam revogados dois artigos da Lei 8.224/2001 que impediam a demissão dos cobradores mesmo com as novas tecnologias que permitem o pagamento da passagem através do cartão BHBus.

"Não é uma preocupação apenas com os cobradores. Mas também com os motoristas, que teriam que assumir novas tarefas. Mesmo com o sistema eletrônico, muita gente ainda paga em dinheiro. E além disso, há o auxílio aos passageiros. Por exemplo, o agente de bordo é quem opera o elevador para portadores de deficiência. Se o motorista assumir tudo isso, a qualidade do serviço piora sensivelmente", disse Ferreira, do sindicato dos trabalhadores.

A entidade calcula que, se o projeto for sancionado, 6 mil postos de trabalho serão fechados. "Pedimos até desculpas à população pela paralisação de ontem. Mas é importante que todos saibam que nossa luta é para que todos tenham um transporte de qualidade, com segurança e comodidade", disse o sindicalista.

O projeto foi apreciado pelos vereadores nos dias 18 e 19 de abril em uma votação simbólica, sem necessidade de debate, nem de quórum mínimo. Mesmo sem voto nominal, cinco vereadores registraram em ata sua posição contrária à proposta.

O vereador e autor do projeto Autair Gomes foi procurado pela Agência Brasil para se manifestar sobre as críticas, mas não respondeu até o fechamento da matéria.

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