Ato contra impeachment de Dilma no Rio tem discursos e apresentações artísticas

Vitor Abdala - Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Frente Brasil Popular promove ato contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff no Aterro do Flamengo, zona sul da cidade (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Frente Brasil Popular promove ato contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff no Aterro do FlamengoTânia Rêgo/Agência Brasil

Centenas de pessoas participaram hoje (1º) no Aterro do Flamengo, de um ato contra o processo de impeachment da presidenta da República, Dilma Rousseff. A manifestação, promovida pela Frente Brasil Popular, contou com apresentações musical e teatral, além de discursos de políticos do PT e artistas.

"Hoje nós passamos por um momento complicado da história do nosso país, principalmente em relação à democracia. A gente sabe o que ocorre quando a democracia está em xeque. Quando a democracia é prejudicada, o trabalhador é o próximo a ser prejudicado", disse o vice-presidente estadual do PT no Rio, Ricardo Pinheiro.

O ator Bemvindo Sequeira também discursou durante o ato e defendeu a permanência de Dilma no poder. Apesar disso, ele considera que a situação da presidenta é muito complicada, mesmo que ela consiga se manter no poder.

"Quem está vendido não vai mudar seu voto. Você pode botar 10 milhões de pessoas nas ruas, que eles vão votar pelo impeachment mesmo. Agora eu acho difícil que eles consigam, no julgamento final, os 54 votos [necessários para tirar Dilma definitivamente da Presidência]. Ao mesmo tempo, como é que ela volta [depois de ser afastada]? Como uma pessoa que morre e torna a voltar? É uma situação política estranha", disse o ator.

O professor Thiago Pereira aproveitou o domingo de sol para ir ao protesto com a mãe e sua filha de 2 anos. "Particularmente, tenho muitas críticas em relação ao governo, mas acredito que elas têm que ser resolvidas dentro da normalidade institucional e não através de uma tentativa de distorção do Estado Democrático de Direito. Não pode ser através de uma série de acusações que não têm sustentação e que são o arcabouço para se tentar derrubar uma presidente legitimamente eleita", disse.

Senado

A abertura do processo de impeachment foi aceita na Câmara, por 367 votos a 137, e agora está em discussão na comissão especial do Senado. Qualquer que seja o resultado da votação na comissão, a decisão final cabe ao plenário do Senado. Para ser a abertura do processo ser aprovada, é necessária a metade mais um dos votos dos presentes, desde que votem pelo menos 41 dos 81 senadores da Casa.

Se o parecer da comissão for pela admissibilidade do processo de impeachment e o texto for aprovado pelo plenário do Senado, o processo contra a presidenta é instaurado e Dilma será notificada e afastada do cargo por 180 dias. Com isso, o vice-presidente Michel Temer assume o governo. Se o parecer da comissão pela admissibilidade for rejeitado no plenário, a denúncia contra a presidenta será arquivada.

Se o processo de afastamento da presidenta for aberto, começa a fase de produção de provas e a possível convocação dos autores da denúncia, da presidenta Dilma e da defesa até a conclusão das investigações e votação do parecer da comissão especial sobre o processo. Para que a presidenta perca o mandato são necessários votos de pelo menos 54 senadores, dois terços da Casa. A sessão final do julgamento será presidida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em caso de absolvição, a presidenta reassume o mandato imediatamente. Se condenada, a presidenta é automaticamente destituída e fica oito anos sem poder exercer cargo público. O vice, Michel Temer, assume a Presidência da República até o fim do mandato, em dezembro de 2017.

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