Museu do Amanhã exibe protótipos de experimentação tecnológica

Paulo Virgílio - Repórter da Agência Brasil

Como as novas tecnologias mudarão a maneira como o homem vive hoje? De que forma vão alterar a interação do ser humano com a casa e com as cidades? São perguntas para as quais não há respostas prontas, mas o caminho para isso passa pela experimentação. Foi o que fizeram cerca de 70 estudantes e profissionais de arquitetura, design e comunicação visual, do Brasil e de outros países, reunidos desde quarta-feira (27)  no workshop Construindo Proto-Ecologias, no Museu do Amanhã, na Praça Mauá, no centro do Rio.

O resultado da iniciativa do Laboratório de Atividades do Amanhã (LAA), criado pelo museu e em funcionamento desde a abertura da instituição, em dezembro do ano passado, foi apresentado nesse sábado (30). Os protótipos criados durante o workshop, com base em material de baixo custo e em estruturas interativas, refletem a influência da robótica na construção civil e o papel dos arquitetos, designers e artistas em um mundo cada vez mais mediado por tecnologias responsivas e sensoriais.

O projeto resultou de uma parceria do LAA com a Bartlett School of Architecture, do Reino Unido, e com dois laboratórios da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ): o Núcleo de Artes e Novos Organismos (Nano) da Escola de Belas Artes (EBA) e o Laboratório de Modelos e Fabricação Digital (Lamo3D), da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU). De acordo com a diretora do LAA, Marcela Sabino, a realização de workshops é apenas uma das frentes de atividades do espaço criado no âmbito do Museu do Amanhã.

"Os workshops são parte da área de experimentação do laboratório, que também envolve aprendizagem, cursos e oficinas. As outras frentes são palestras e bate-papos, exposições e um programa de residências artísticas e científicas. Temos cinco residentes que vêm passar um período de um a três meses com a gente", afirmou. Segundo Marcela Sabino, o LAA é aberto a todos os visitantes do museu, mesmo os leigos nas áreas de arte, ciência e tecnologia, que são o foco do laboratório.

"Somos receptivos a ouvir qualquer pessoa que tenha uma boa ideia na área de inovação", disse a diretora. Com mestrado em políticas públicas voltadas para a inovação na Universidade de Harvard (Estados Unidos), ela trabalhou alguns anos como consultora do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), focada em tecnologias de baixo custo.

"Eles estavam querendo entender mais sobre tecnologias exponenciais, as que seguem a Lei de Moore [Gordon Moore, fundador da Intel], segundo o qual a tecnologia tende a ficar 50% mais barata a cada dois anos. Esse processo está se dando muito rapidamente. São exemplos a impressão 3D, a robótica, a inteligência artificial", ressaltou.

Antes de assumir a direção do laboratório do Museu do Amanhã, Marcela percorreu várias cidades da Europa estudando como as pessoas  fazem inovação fora da lógica das empresas e dos centros institucionais tradicionais. "Eu quis trazer essa lógica para o LAA. Em vez de focar em máquinas, nós focamos em projetos", destacou.

Um dos protótipos criados durante o workshop exemplifica a proposta do laboratório. O experimento foi concebido por uma equipe formada pela arquiteta multimídia Gabriela Castro, pela designer de inovação paulista Lina Lopes, pela também paulista e arquiteta Carolina Cardoso e pelo carioca Erick  Bromersthentkel, estudante de arquitetura da UFRJ.

Protótipo parangolé digital foi desenvolvido em workshop no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro (Divulgação/Museu do Amanhã)

Protótipo inspirado na obra de Hélio Oiticica foi desenvolvido em workshop no Museu do AmanhãDivulgação/Museu do Amanhã

"Nós utilizamos para esse experimento materiais bem simples, de baixo custo, como varetas e aletas de madeira, interconexões feitas através de fabricação digital. Com as peças interconectadas, nós criamos essa estrutura que se articula e interage através de músculos de ar, feitos à base de balões e ar inflado", detalhou Gabriela Castro sobre o protótipo "vestido" por Lina Lopes na apresentação dos trabalhos. "Nós acabamos criando uma arte vestível, com a qual fazemos um paralelo com a obra de Hélio Oiticica. Não definimos o nome ainda, mas existe a possibilidade de chamá-la de parangolé digital", comentou, numa referência a uma das mais famosas criações do artista plástico brasileiro.

Segundo Gabriela, a equipe ainda não tem uma preocupação utilitária com relação ao objeto de sua criação. "Neste momento, não traçamos ainda um objetivo. Nós estamos criando através do processo, observando, vendo como essa estrutura reage e estamos muito contentes com isso", disse.

Para a diretora do laboratório, tudo isso faz parte do processo de experimentação, que é em parte frustrante. "A gente acerta e erra várias vezes. Uma coisa interessante que eu vejo no Brasil é que, diferentemente dos Estados Unidos, onde eu cresci, o erro não é muito aceito aqui. Pra mim, é fascinante o erro. Se você não errar, você não inova. Eu tento trazer essa lógica: você pode errar, mas continua tentando", afirmou Marcela Sabino.

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