Começa com bate-boca votação de relatório na Comissão do Impeachment no Senado

Karine Melo e Carolina Gonçalves - Repórteres da Agência Brasil

Começou há pouco na Comissão Especial do Impeachment a reunião que vai votar relatório do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) favorável a admisibilidade do pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Mais uma vez a reunião foi aberta em meio a bate-boca, que causou a suspensão do debate por cinco minutos. O líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PB), reclamou de uma postagem feita na página do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) com críticas ao documento Uma Ponte para o Futuro, com sugestões do PMDB para um eventual governo de Michel Temer, apoiado pelos tucanos.

Lindbergh assumiu a autoria da postagem e as críticas direcionadas ao presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), um dos defensores do documento dos peemedebistas. O petista explicou que na publicação o PMDB defende a retirada de direito dos trabalhadores e fim da política de valorização do salário mínimo. O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) também reagiu e considerou a postagem de Linbergh uma infâmia. " O senhor vai responder no Conselho de Ética", ameaçou.

Diante da confusão, o presidente da comissão especial, senador Raimundo Lira (PMDB-PB), a sessão foi suspensa. Em seguida, na sala lotada, pelo menos quatro brigadistas e uma equipe médica entraram para atender a senadora Rose de Freitas (PMDB-ES), que teve uma indisposição.

Relatório

Apesar do tumulto e das polêmicas, a discussão sobre o relatório de Anastasia foi encerrada ontem. Hoje, a reunião é apenas para votação do parecer, antes porém, os líderes dos partidos poderão encaminhar o voto de suas bancadas. Para isso o presidente do colegiado deve conceder 10 minutos para cada, o dobro do tempo regimental.

Feita a orientação das bancadas, o próximo passo é a votação propriamente dita do processo que será feita pelo painel eletrônico. Como a sala onde as reuniões estavam sendo realizadas não tem esse recurso , a de hoje foi transferida para a sala da Comissão de Constituição e Justiça.

Após o fim da votação, prevista para o início desta tarde, o presidente da comissão anunciará o resultado que deverá ser lido no plenário da Casa na sessão ordinária marcada para as 14h de segunda-feira (9).

A leitura marca também a contagem do prazo de 48h para deliberação da fase de admissibilidade do processo no plenário pelos 81 senadores, o que conforme o calendário votado no início dos trabalhos da Comissão Especial, deve ocorrer na quarta-feira (11). Tanto na comissão especial quanto no plenário a votação será por maioria simples, ou seja, metade mais um dos senadores presentes. Se aprovado o parecer de Anastasia no plenário da Casa, a presidenta será notificada e imediatamente afastada do cargo por 180 dias.

Resultado

O líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PB), chega a cravar o placar da comissão na votação de hoje. A aposta é que o relatório tenha 15 dos 20 votos a favor do relatório de Anastasia. Como presidente da Comissão o senador Raimundo Lira, 21 integrante do colegiado só participa da votação em caso de empate.

"O relatório é extramamente robusto e absolutamente convincente. Quem ler a peça de forma isenta vai perceber de forma inequívoca que os crimes foram praticados pela presidente Dilma Rousseff", afirmou confiante na confirmação do resultado da comissão no plenário da Casa.

Seja qual for o resultado, Antonio Anastasia sabe que a sessão deve se estender por polêmicas e bate boca. "É natural num processo nesta complexidade que os debates vão existir, mas estou muito tranquilo", afirmou.

Já os senadores da base governista admitem a derrota na comissão hoje. Por isso, o líder do governo na Casa, Humberto Costa (PT-PE), disse hoje que a estratégia da base será concentrar esforços para tentar reverter a decisão de hoje no plenário. Costa diz que a comissão especial que analisa o impeachment foi formada por integrantes "escolhidos a dedo", todos a favor do afastamento da petista. "O resultado [na comissão] é conhecido. Nossa perspectiva no plenário é mais positiva. Estamos aprofundando o debate e mostrando a fragilidade dos argumentos. Acredito que vamos conseguir um bom resultado na votação do plenário", afirmou.

<< Acompanhe ao vivo a reunião>> 

*Texto alterado às 11h11 para corrigir informação. Diferentemente do que informava o texto, o documento Uma Ponte para o Futuro é de autoria do PMDB, e não do PSDB. O PSDB apoia a iniciativa.

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