Líderes da oposição encaminham voto favorável ao impeachment

Karine Melo e Carolina Gonçalves - Repórteres da Agência Brasil

Após um início tumultuado por bate-boca entre senadores tucanos e petistas, os líderes dos partidos tiveram cinco minutos cada para encaminhar na Comissão Especial do Impeachment a votação do parecer do relator Antonio Anastasia (PSDB-MG), favorável à admissibilidade do processo contra a presidenta Dilma Rousseff.

Primeira a encaminhar o voto pelo Partido Progressista (PP), a senadora Ana Amélia (RS) afirmou ter convicção de que Dilma cometeu crimes de responsabilidade e encaminhou voto sim ao relatório de Anastasia. A parlamentar defendeu uma república autêntica e verdadeira, sem privilégios, onde todos são iguais perante a lei. "Ninguém está acima da lei", nem mesmo a presidenta da República e os presidentes da Câmara e do Senado, disse.

Ana Amélia lembrou, ainda, que o processo de impeachment está respaldado pelo Supremo Tribunal Federal e disse que Dilma teve amplo direito de defesa e aos contraditórios.

Na mesma linha, o líder do PSC, senador Eduardo Amorim (SE), elogiou o parecer de Antonio Anastasia e ressaltou que o documento corroborou sua convicção de que Dilma cometeu crime de responsabilidade.

Outro a encaminhar favoravelmente a votação pela admissibilidade do processo foi o senador Álvaro Dias (PV-PR). Para ele, "os pressupostos fundamentais estão presentes no relatório". Acrescentou há "um imenso apoio popular" ao impeachment da presidenta e que isso pôde ser comprovado pelas manifestações populares e por levantamentos feitos pro diversos institutos de pesquisa.

Outro argumento usado por Álvaro Dias para apoiar o relator foi o de que houve dolo da presidenta, uma vez que ela foi alertada sobre as práticas da chamada "contabilidade criativa".

Questão de Ordem

Pouco antes dos encaminhamentos dos líderes, a senadora Gleise Hoffman (PT-PR) tentou, mais uma vez, convencer o colegiado de que era preciso anular o processo. Assim como vem sendo defendido reiteradamente pela base governista, Gleise afirmou que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que, por unanimidade, afastou o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara, comprova que houve desvio de poder da parte do peemedebista quando aceitou o pedido de impeachment. "O desvio de poder anula os atos. Requeremos a suspensão dos trabalhos desta comissão", disse.

Contrapondo, o líder do PSDB, Cássio Cunha Lima, reconheceu que a decisão do STF "inegavelmente extravagante, atipica e incomum", apesar de ser uma "intromissão" no Poder Legislativo, foi necessária.

"Às vezes é preciso arrombar a porta diante de crises graves. Uma medida aguda se fez necessária", afirmou. Cunha Lima disse, porém, que o STF deixou claro que os atos praticados por Cunha estão válidos e justificou afirmando que a acusação é a mesma atribuída a Dilma Rousseff e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no pedido apresentado pelo procurador-geral Rodrigo Janot, que aponta tentativa de obstruir as investigações da Operação Lava Jato.

"É o mesmo tipo penal que levou o STF a afastar o deputado Eduardo Cunha da presidência da Câmara, é o mesmo tipo penal que a Procuradoria Geral da República apontou para Dilma e Lula", disse.

O presidente da comissão, Raimundo Lira, negou a questão de ordem e lembrou que o mesmo pedido foi apresentado por outros senadores governistas e indeferidos. Gleise afirmou que apresentará o mesmo requerimento no plenário do Senado.

Os encaminhamentos continuam.

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