Acampamento de manifestantes contra o impeachment em BH chega ao 10º dia

Léo Rodrigues - Correspondente da Agência Brasil

Acampamento de manifestantes contra o impeachment em BH chega ao 10 dia

O acampamento foi montado após uma manifestação no dia 1º de maio e é organizado pela Frente Brasil Popular Leo Rodrigues/Agência Brasil

Uma manifestação contra o impeachment da presidenta Dilma Roussef, na noite dessa terça-feira (10), encerrou a programação do décimo dia de acampamento na Praça da Liberdade, zona nobre de Belo Horizonte. O músico Tico Santa Cruz e o rapper Flávio Renegado foram convidados para discursar em um ato político-cultural, que teve também a participação de diversos debates, serviços e atrações oferecidos por movimentos sociais.

O acampamento foi montado após uma manifestação no dia 1º de maio, quando se celebra o Dia do Trabalhador. Ele é organizado pela Frente Brasil Popular, que é composta pela Central Única dos Trabalhadores (CUT-MG), pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), por entidades estudantis, sindicatos e outros grupos populares.

Há na praça cerca de 60 barracas. Também foi estruturado um espaço para debate e um pequeno palco. Profissionais de saúde identificados com a mobilização oferecem, em um estande, serviços básicos como aferição da pressão arterial e da temperatura.

Solidariedade

O deputado estadual Rogério Correia (PT) faz um balanço positivo da mobilização e considera que o processo de impeachment é um golpe. "O acampamento começou com poucas barracas e hoje temos a praça tomada. A solidariedade é grande. Muitas pessoas se integram nas atividades ao longo do dia. Essa resistência ao golpe segue e será intensa".

Correia disse que a queda de Dilma Rousseff seria uma derrota pontual e a manutenção da mobilização popular poderia levar, mais à frente, a reformas sociais mais profundas. "Esse projeto que unifica as elites coloca em risco conquistas sociais com o Bolsa Família, o Prouni e as cotas, entre outras. Mas se resistirmos, podemos alcançar vitórias até mais avançadas do que as que obtivemos até agora. Precisamos de uma reforma política para que o Legislativo e o Judiciário tenham mais controle social, reformas tributárias que distribuam mais renda e uma reforma midiática. Não é mais possível que oligopólios de comunicação dominem o país e façam prosperar suas mentiras".

Semelhanças

Belo Horizonte - Acampamento de manifestantes contra o impeachment em BH chega ao 10 dia

Há na praça cerca de 60 barracas e também foi estruturado um espaço para debate e um pequeno palcoLeo Rodrigues/Agência Brasil

O jornalista José Maria Rabêlo, de 87 anos, disse não ter dúvidas de que, após algumas quedas, sempre vem uma vitória. Ele comparou o atual momento com outros que presenciou. "O que ocorreu em 1964 é muito parecido que o que está se passando agora. No exílio, também vivi o golpe de 1973 no Chile, quando Pinochet assumiu o governo. E vejo muitas semelhanças. Não há que se falar em erros da presidenta Dilma Rousseff, porque estão derrubando ela não pelos erros, mas pelos acertos. A causa de toda essa reação conservadora são os avanços sociais. As classes dominantes, frente a qualquer avanço social, sempre regiram dessa maneira", disse.

Fundador do PDT, ele se disse surpreso com a decisão da legenda de aprovar posição contra o impeachment, mas está cético quanto às expulsões dos parlamentares que não seguiram a orientação partidária. Em nota divulgada no mês passado, a sigla anunciou que iniciaria o processo de expulsão dos seis deputados federais que votaram a favor da admissibilidade do pedido de afastamento de Dilma Rousseff.

"Embora eu seja membro do diretório nacional, o PDT de hoje não é o meu PDT. O meu PDT é o PDT do Brizola. Nem sei se essas expulsões serão concretizadas. O PDT se afastou das causas trabalhistas que justificou a sua fundação. Acertou dessa vez e vamos ver se essa postura irá perdurar", disse Rabêlo.

Mobilização

Acampamento de manifestantes contra o impeachment em BH chega ao 10 dia

No acampamento há diversos serviços, debates e atrações oferecidos por movimentos sociaisLéo Rodrigues/Agência Brasil

Embora não esteja acampada, a assistente social Ana Maria Belineli, de 26 anos, é presença certa nas atividades diárias da Praça da Liberdade. Participante das Brigadas Populares, movimento que levanta a bandeira da reforma urbana, ela e mais um grupo de militantes fizeram mais cedo um ato contra a reintegração de posse dos terrenos onde estão as ocupações Maria Vitória e Maria Guerreira, na região de Venda Nova.

Em sua opinião, o afastamento de Dilma Rousseff não vai colocar fim às mobilizações das organizações sociais. "O papel dos movimentos é seguir nas ruas, ocupando os espaços e denunciando o golpe. Nós não vamos sair".

O geógrafo Thiago Sales, de 27 anos, foi convidado por um amigo para ir ao acampamento. Ele participou das atividades pela primeira vez. "A situação exige que tomemos posição. Acho essa mobilização importante e vou voltar nos próximos dias".

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