Movimento retoma escola ocupada no Rio depois de expulso por facção contrária

Akemi Nitahara - Repórter da Agência Brasil*

Após a desocupação ontem (10) do Colégio Estadual Mendes de Moraes, na Ilha do Governador, zona norte do Rio de Janeiro, os estudantes do movimento Ocupa Mendes voltaram ao colégio de madrugada e retomaram hoje (11) o controle das instalações.

O colégio foi o primeiro a ser ocupado por estudantes no estado, no dia 21 de março. Na tarde de ontem, enquanto ocorria uma reunião dos integrantes das ocupações com o secretário de Educação, Antonio José Vieira Neto, e uma audiência de conciliação na segunda Vara da Infância, da Juventude e do Idoso da Capital (Viji), integrantes do movimento Desocupa Mendes pularam o muro da escola e abriram os portões para os outros.

Segundo integrantes da ocupação houve violência, como relata o estudante do terceiro ano Alessandro Ribeiro, que acusa os estudantes do Desocupa Mendes de agressões, roubos e depredações no colégio:  "Aí a gente chamou uma assembleia nossa e resolvemos desocupar pela integridade física da gente. Passou um tempo, a noite caiu, e quando a gente voltou para o colégio, todos os alunos do Desocupa, que gritaram que queriam aulas, tinham abandonado a escola. A gente entrou na escola novamente e encontrou um cenário de guerra. A escola inteira quebrada, lixo espalhado. A gente tinha uma biblioteca com mais de 200 livros e eles levaram todos os livros e pertences nossos. Toda a comida que a gente recebeu de doação eles roubaram".

O Ocupa Mendes tinha na manhã de hoje cerca de 100 pessoas e pede novamente doações dos apoiadores para reconstruir o movimento. Atualmente, o movimento confirma a existência de 68 escolas ocupadas no estado. O diretor do Sindicato dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro (Sepe) Marcos Menezes, afirma que há incentivo da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) ao movimento de desocupação.

Segundo os relatos, os policiais presentes não interferiram na desocupação, porém, fizeram um cordão de isolamento na entrada da escola após o Ocupa Mendes sair do prédio. A pedido da Defensoria Pública, há uma decisão judicial que impede a reintegração de posse das escolas ocupadas com o uso de força policial.

Em nota, a Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) informa que "repudia qualquer forma de violência, seja do movimento de ocupação ou de desocupação" e ressalta que "está em negociação com os estudantes para buscar soluções e uma conciliação de forma pacífica". Segundo a nota, na reunião de ontem entre o secretário e representantes do movimento de ocupação, foram acordados alguns pontos da pauta de reivindicação dos estudantes.

Segundo a nota da secretaria, "Nas escolas ocupadas, assim que acabarem as ocupações, 40 dias depois haverá consulta à comunidade (pais, alunos e professores) para a escolha dos diretores. Além disso, ficou acertado que o último Sistema de Avaliação da Educação do Estado do Rio de Janeiro (Saerj) acontecerá no final deste ano e, em 2017, haverá uma reformulação para um simulado preparatório para o Enem. Também ficou acordado que a secretaria mediará, junto ao Ministério Público e à Assembleia Legislativa, a possibilidade de um novo acordo para que a recarga do Riocard (cartão para viajar em transporte coletivo gratuitamente) aconteça uma única vez no mês, em vez de uma vez por semana", informou a Seeduc.

A reportagem procurou, pelas redes sociais, integrantes do Desocupa Mendes, mas não obteve retorno.

*Colaborou Tâmara Freire, repórter do Radiojornalismo

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