Movimentos contra e a favor do impeachment diminuem mobilização em Minas

Leo Rodrigues - Correspondente da Agência Brasil

Diante da provável decisão do Senado favorável à admissão do pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, hoje (11), as mobilizações em Belo Horizonte dos grupos favoráveis e contrários ao processo foram mais acanhadas. Poucos saíram às ruas na capital mineira, um cenário bem distinto dos acontecimentos do dia 17 de abril quando milhares de pessoas participaram de manifestações à espera da decisão da Câmara dos Deputados sobre o a autorização para o processo no Senado.

Lideranças de movimentos de ambos os lados dão como certa a aprovação da admissibilidade pelos senadores. Na Praça da Liberdade, um acampamento de manifestantes contrários ao impeachment já está sendo desfeito. No local, havia 60 barracas da Frente Brasil Popular, composta pela Central Única dos Trabalhadores (CUT-MG), pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), por sindicatos, entidades estudantis e outras organizações sociais. Eles ocupavam a praça desde o dia 1º de maio, quando foi realizada uma manifestação para marcar o Dia do Trabalhador.

Um dos coordenadores da Frente Brasil Popular, o sociólogo Frederico Santana Rick, de 38 anos, já discursa como oposição."Nós não vamos reconhecer o governo Temer. Consideramos que é um governo ilegítimo e vemos com preocupação os anúncios do próprio Temer, que apontam para a composição de um ministério com pessoas investigadas, corruptas e inclusive delatadas na Operação Lava Jato. Suas ideias representam a restauração de um projeto neoliberal que foi derrotado nas urnas nas últimas eleições", avisa.

Segundo Frederico, a redução da mobilização nesta quarta-feira já era esperada. "Já são 11 dias de acampamento. Cada dia debatemos uma tema diferente, o que também atraiu públicos diferentes. Foi um contingente numeroso. A diversidade de atividades também divide a participação conforme os dias. E nós, realmente, não fizemos uma grande esforço de mobilização para o dia de hoje", explica.

Apesar da iminente derrota de Dilma Rousseff no Senado, Frederico Rick diz estar otimista com a capacidade de reação da sociedade e com a expectativa de se desenvolver uma resistência popular. Ele explica que o acampamento está sendo desmontado para dar sequência à mobilização. "O acampamento se transfere de Belo Horizonte para Brasília. Iremos nos somar ao movimento nacional. Dois ônibus sairão ainda hoje daqui da capital e se somarão com outros 50 de diversas regiões de Minas Gerais", anuncia Rick. Outro plano da Frente Brasil Popular é realizar, em duas ou três semanas, um ato em Belo Horizonte com a presença de Dilma Rousseff. Ela já teria manifestado disposição de comparecer à capital mineira.

A mobilização dos grupos favoráveis ao impeachment também contabilizou um número de pessoas bastante modesto. Segundo um dos coordenadores do Vem pra Rua, o consultor de projetos Max Fernandes, de 41 anos, dois fatores teriam contribuído para a presença reduzida. Um deles é a mudança do local tradicionalmente utilizado para as suas manifestações. Como a Praça da Liberdade, dessa vez, foi ocupada pelos contrários ao impeachment, o ato desta noite se transferiu para a Savassi. O outro fator seria justamente a previsibilidade da decisão do Senado, como ele explica: "As pessoas ficaram mais tranquilas em casa. Quem veio é para comemorar os resultados alcançados pela nossa mobilização".

Conforme Max Fernandes, o movimento continua, mesmo após o afastamento da presidenta: "Nós vamos manter nossa mobilização sempre que julgarmos que a democracia corre algum tipo de perigo. Vamos ficar vigilantes contra aqueles políticos que cometem irregularidades. Imediatamente, passa a ser nosso alvo o governador Fernando Pimentel". Na semana passada,  Pimentel foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República na Operação Acrônimo.

Em relação ao governo de Michel Temer, Max explica que o momento é de observações para ver as medidas a serem tomadas: "Vamos observar as indicações para os ministérios, pois, além da capacidade técnica para gestão das pastas, elas precisam considerar a qualidade moral. Além disso, Michel Temer também está sendo processado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Queremos que as acusações sejam apuradas integralmente e que a justiça seja feita".

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