Ocupação da reitoria da Unicamp contra cortes no orçamento chega ao terceiro dia

Flávia Albuquerque - Repórter da Agência Brasil

A ocupação da reitoria da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) por estudantes chegou hoje (12) ao terceiro dia em protesto contra o corte de R$ 40 milhões no orçamento da instituição. Os estudantes argumentam que a redução vai provocar o congelamento de concursos e da contratação de professores e funcionários e afetará a carreira docente, além de paralisar a continuidade de obras, a manutenção de prédios e o atendimento à infraestrutura da universidade.

A ocupação começou na noite da última terça-feira (10).

Na área da saúde, segundo os estudantes, o corte atingirá os plantões e a reposição de médicos e enfermeiros. Em nota publicada em uma rede social, os alunos também denunciam o impacto da medida em serviços como transporte fretado e cópias de impressão, que serão parcialmente cortados, e que a moradia estudantil não será ampliada.

Além disso, as bolsas que garantem a permanência para estudantes de baica renda serão reduzidas, segundo os alunos que participam do protesto. "O corte fortalece também o racismo estrutural da universidade, mantém a restrição do acesso da juventude negra à Unicamp, que continua sendo a 'diferentona' por não possuir uma política de cotas étnico-raciais."

Negociação

Em nota, a Unicamp informou que todas as atividades de ensino, pesquisa e extensão funcionam normalmente no campus e que os funcionários que trabalham no prédio da reitoria foram transferidos para outros espaços.

A instituição diz que está aberta a negociações com os manifestantes, que foi surpreendida com a ocupação de suas instalações e que desconhece a motivação do ato, além de estranhar que a ocupação tenha ocorrido sem qualquer reivindicação prévia. "Nesse momento, a Administração Central avalia o quadro a fim de tomar as medidas cabíveis", diz a nota.

Em outro informativo, a Unicamp diz que no dia 28 de abril a reitoria publicou resolução que estabelece medidas de contenção de despesa para enfrentar as dificuldades financeiras e que a medida foi resultado de um acordo feito com diretores de unidades de ensino e pesquisa da Unicamp e da Área de Saúde.

"As medidas anunciadas representam uma atitude de responsabilidade e cautela diante do baixo crescimento da arrecadação do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICM), principal fonte de financiamento da universidade, e do cenário econômico adverso que se projeta para 2016, com expectativa de queda nas receitas oriundas do Tesouro do estado", diz o texto.

De acordo com a universidade, o contingenciamento atingirá principalmente atividades-meio (administração) e não as atividades-fim (ensino e pesquisa). "Também não haverá cortes de recursos na área de saúde, principalmente no que diz respeito à assistência. Todas as atividades de assistência no complexo hospitalar da Unicamp estão garantidas. Na área de recursos humanos, as medidas de contenção referem-se apenas às vagas de reposição previstas para esse ano e ainda não ocupadas. Não haverá cortes de vagas já ocupadas".

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