Senadora Lídice da Mata diz que impeachment é golpe jurídico

Ivan Richard e Luciano Nascimento - Repórteres da Agência Brasil

Contrária ao afastamento da presidenta Dilma Rousseff,  senadora Lídice da Mata (PSB-BA) disse hoje (11) que o atual processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff representa um "um golpe jurídico, parlamentar e midiático". Também contrário ao impedimento, o senador João Capiberibe (PSB-AP), criticou o processo.

Brasília - Plenário do Senado vota o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Na foto, a senadora Lídice da Mata (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Para senadora Lídice da Mata, o processo de impeachment é "contaminado por um grave e irreparável pecado original"Marcelo Camargo/Agência Brasil

Para Lídice da Mata, o processo de impeachment, além de desconsiderar os aspectos legais, é "contaminado por um grave e irreparável pecado original". "Ele foi urdido, iniciado, conduzido por um gesto de vingança pessoal pelo presidente afastado da Câmara dos Deputados [Eduardo Cunha], réu no STF [Supremo Tribunal Federal] por corrupção passiva, lavagem de dinheiro, em um flagrante e evidente desvio de finalidade", disse Lídice.

Para João Capiberibe, o Brasil vive um quadro "extremamente preocupante", que dificulta o caminho para solução da crise. "Todos nós presenciamos o acirramento político, o sectarismo que se alastra nas escolas, nas ruas, nos ambientes de trabalho, aqui mesmo no plenário do Senado e até em nossas relações familiares e de amizades. Não consigo enxergar uma porta aberta para sairmos da crise"

Para o senador amapaense, o PT e o PMDB são os principais responsáveis pelo atual momento conturbado que vive o país. "Essa estranha aliança, sustentada no loteamento de cargos públicos, atravessou o tempo e chegou aos nossos dias e tudo indica que vai continuar. Esse presidencialismo franciscano, inaugurado na transição, apodreceu nas mãos da presidente Dilma e ela não se deu conta. E o vice-presidente, Michel Temer, tudo indica, não aprendeu a lição. Pelo que se lê e ouve, na imprensa, ele também caminha na direção do fracasso, com um agravante, além de compor o seu governo na base do é dando que se recebe, provocou críticas duras da OAB, que apoiou o impeachment, mas não aceita uma equipe de ministros investigados na Lava Jato", disse Capiberibe.

Na avaliação de Capiberibe, o impeachment, no entanto,  não é a solução. "Quando o presidente dessa Casa abrir o painel e revelar o resultado da votação, teremos um foguetório em todo o país, e também vencedores e vencidos. E aí a situação se complica de vez. Não se sai de uma crise tão grave quanto essa passa pelo confronto. É preciso aplainar as arestas, buscar uma saída pela política, negociar e compatibilizar interesses em busca de uma solução pactuada e definitiva".

Até momento, 46 dos 71 senadores inscritos para debater o relatório da comissão especial pela aprovação da admissibilidade do impeachment discursaram na Tribuna o Senado. 


 

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