Briga de estudantes em escola ocupada no Rio termina com feridos e depredação

Vladimir Platonow - Repórter da Agência Brasil

Uma briga entre estudantes de uma escola ocupada no Rio de Janeiro deixou alunos feridos e um rastro de destruição no prédio na tarde de hoje (13). O tumulto começou por volta das 13h, quando alguns integrantes do grupo intitulado Desocupa Já conseguiram entrar na escola Prefeito Mendes de Moraes, na Ilha do Governador, zona norte do Rio.

Os alunos arrombaram um dos portões e iniciaram uma briga generalizada com os estudantes que ocupam a escola em protesto contra as más condições do prédio, em apoio à greve dos professores e pela eleição direta de diretores. Dois jovens sofreram ferimentos graves e precisaram de atendimento hospitalar: um foi atingido na cabeça por uma pedra e outro teve um braço torcido, precisando ser imobilizado. Outros tiveram escoriações, resultado de pedradas e golpes durante a briga.

Os vidros do refeitório foram quebrados, o bebedouro foi amassado, lixeiras foram derrubadas e até parte de uma parede foi arrancada.

"Já tínhamos informação de que eles viriam. Já chegaram nos xingando e tacando pedras e bombas. A gente revidou e foi para cima deles, que conseguiram entrar e quebraram vidros da cozinha com pedaços de madeira. Aí eles fugiram e ficaram do lado de fora jogando mais pedras. Isso não é atitude de aluno, é coisa de gangue de marginais", relatou um estudante que pediu para ser identificado apenas como Júnior, do segundo ano do ensino médio da escola.

Polícia

Após o tumulto, cinco viaturas da Polícia Militar foram deslocadas para a frente do colégio para evitar novas brigas. Professores que estão em greve e pais de estudantes foram até a escola tentar acalmar a situação.

"A maioria dos estudantes quer estudar, mas não consegue, porque fizeram de um movimento grevista um movimento político. Eles já correm um risco sério de perder o ano. E qual a capacidade deles em fazer o Enem [Exame Nacional do Ensino Médio], como vão repor essas aulas? A maioria dos pais está muito preocupada com isso", disse o advogado Wilson Casimiro de Oliveira, pai de uma aluna que defende a volta às aulas.

Em nota, a Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) repudiou os atos de violência e defendeu a conciliação entre os grupos de estudantes e a desocupação das escolas para a retomada do ano letivo. "A secretaria reitera que não apoia nem o movimento de desocupação nem o de ocupação, e é contra qualquer ato de violência. Tanto que não autorizou, desde o início, a presença de policiais nas unidades", diz o texto. "É necessária a liberação das unidades para um trabalho de recuperação nas áreas pedagógica e de infraestrutura, visando ao retorno às aulas e à continuidade da jornada escolar dos nossos estudantes."

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