Associação de Comércio Exterior: país não pode depender do câmbio para exportar

Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, disse hoje (17), no Rio de Janeiro, que o país não pode depender somente de câmbio para exportar. "O câmbio é importante, mas nós, exportadores, não temos nenhum controle sobre ele". Castro participou do 28º Fórum Nacional, promovido pelo Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).  

Castro explicou que quando o país depende do câmbio, quem sai fortalecido é o importador, que quer que uma desvalorização cambial seja transferida de forma imediata para o preço. O presidente disse que existem custos internos que têm de ser resolvidos, incluindo custos burocráticos, tributários, de infraestrutura, logística e financeiros. "Esses custos, nós temos que atacar", disse. "Não podemos depender apenas de câmbio para exportar, mas de redução de custos."

Esse problema, diz Castro, tem de ser resolvido por meio de reformas. A reforma tributária, por exemplo, visa a reduzir o custo tributário, que onera as exportações brasileiras. "Quando nós exportamos, indiretamente estamos exportando tributos, agregados ao produto".

O presidente diz que é preciso também que haja investimento pesado em logística. A logística existente no Brasil hoje, segundo ele, é deficiente e onerosa, o que faz com que quase 50% dos manufaturados brasileiros tenham como destino países da América do Sul. "Um pouco vai para os Estados Unidos e o mundo é o resto".

Castro diz que quanto mais distante do Brasil, mais cara é a logística e menos competitivos são os produtos brasileiros. Ele diz que o país precisa ainda reduzir os custos financeiros e burocráticos, além dos trabalhistas. "A nossa legislação trabalhista tem 70 anos e precisa ser modernizada".

Governo Temer

Sobre o governo do presidente interino Michel Temer, o presidente da AEB avaliou que, embora sejam pessoas competentes, Castro sabe que não se consegue reverter o quadro atual de dificuldades de uma hora para outra. No caso das reformas, ele disse que mesmo que elas sejam feitas, há um período de transição para que tenham resultados. "Por isso, eu sei que em menos de dois anos, nada se consegue resolver. Neste momento, a gente conta com o câmbio para gerar competitividade, sabendo que câmbio não é fator de competitividade".

Castro disse que as reformas estão "superatrasadas". "Cada vez que se atrasam as reformas, o nosso problema se agrava mais. Enquanto as reformas não são feitas, os exportadores continuam torcendo para que as commodities [produtos primários com cotação internacional] mantenham um patamar mais elevado e brigando para aumentar a exportação de manufaturados de maior valor agregado. Já caímos muito. Agora, temos que recuperar o que perdemos no passado".

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