Temporal deixa 22 feridos e causa transtornos em Embu-Guaçu, na Grande São Paulo

Daniel Mello - Repórter da Agência Brasil

Os moradores de Embu-Guaçu, na Grande São Paulo, passaram a manhã de hoje (17) reparando casas, lojas e empresas danificadas pelo temporal de ontem (16). A forte chuva do fim da tarde arrancou telhas, derrubou árvores e deixou toda a cidade sem luz. Os pronto-socorros do município receberam 22 pessoas com ferimentos relacionados às rajadas de vento.

Quatro pacientes tiveram que ser encaminhados para o Hospital Geral de Itapecerica da Serra, município vizinho a Embu. Um deles apresentava politraumatismo, dois foram submetidos a tomografias e uma é gestante. A prefeitura estuda decretar estado de calamidade pública. Alguns moradores estão sendo levados para um ginásio de esportes enquanto fazem os consertos necessários em suas residências.

Durante a noite, Embu-Guaçu teve o apoio dos órgãos de Defesa Civil de Itapecerica e Cotia. Também reforçaram o contingente do município membros do Corpo de Bombeiros de Embu das Artes e Itapecerica.

Inesperado

A força do temporal surpreendeu os moradores. "Eu ouvi um barulho e saí. Era a árvore caindo", conta a fisioterapeuta Cristina Lima, que atendia uma paciente no momento da chuva. Os troncos e os galhos lascaram o muro e quebraram telhas. "Eu fui fechar a porta e não conseguia. O vento era muito forte", relata a profissional de saúde, que teve de pedir ajuda a cliente para tentar salvar computadores e móveis da clínica onde trabalha. "A gente ficava tentando arrastar as coisas para molhar o menos possível". Com o telhado rompido, algumas salas do imóvel ficaram alagadas.

Hoje, Cristina trabalhava para consertar os estragos. O local estava sem luz e telefone desde o final da tarde de ontem. Os funcionários tiveram que tirar galhos e folhas do quintal e do telhado do imóvel. Na esquina, um galpão, onde funcionava uma fábrica de instrumentos musicais, ficou completamente destruído.

Em uma igreja evangélica, que fica em frente à fábrica, os danos foram menores. O pastor Wesley de Oliveira estima que terá de gastar cerca de R$ 500 para comprar uma nova placa para o templo e reinstalar o isolmento acústico arrancado pelo vento. Além disso, a caixa d'água da igreja estourou e uma porta de vidro foi derrubada. Porém, ao contrário do que ocorreu em boa parte da cidade, o fornecimento de energia já havia sido restabelecido. "Antes da chuva, quando começou a ventar, já tinha acabado a luz. Só foi voltar hoje de manhã", contou Oliveira.

De tão repentina, o aposentado Alexandre Oliveira diz que só percebeu a chuva depois que o vento danificou a cobertura da casa onde vive. "Eu tava preparando a mudança, quando começou a cair água dentro de casa. Foi algo muito rápido", relatou. Na manhã de hoje, o proprietário do imóvel providenciou novas telhas, com as quais estimou ter gasto R$ 1 mil.

Com as lonas rasgadas e a estrutura de metal retorcida pelo vento, a Festa do Peão de Embu-Guaçu também foi prejudicada. O evento com rodeios e apresentações de cantores sertanejos deveria começar na quinta-feira (19) e ir até domingo (22). A organização divulgou, no entanto, um comunicado sobre o adiamento da festa para junho.

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