Deputado diz que relatoria poderá abranger outros trustes ligados a Cunha

Pedro Peduzzi e Luciano Nascimento - Repórteres da Agência Brasil

O primeiro vice-presidente do Conselho de Ética da Câmara, Sandro Alex, questionou os argumentos apresentados por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de que os demais trustes (fusão de várias empresas para formar um monopólio e dominar determinada oferta de produtos e/ou serviços), que não o Netherton, não fariam parte da natureza da representação para investigar o presidente afastado da Câmara.

Brasília - Deputado Sandro Alex durante discussão do processo de afastamento da presidenta Dilma Rousseff, no plenário da Câmara (Valter Campanato/Agência Brasil)

Brasília - Deputado Sandro Alex durante discussão do processo de afastamento da presidenta Dilma Rousseff, no plenário da Câmara (Valter Campanato/Agência Brasil)Valter Campanato/Agência Brasil

Posteriormente, ele perguntou se Cunha gostaria de corrigir as informações apresentadas durante a CPI da Petrobras, de que não teria contas no exterior, e cobrou explicações sobre documentos apresentados pelo Ministério Público da Suíça, segundo os quais Cunha teria contas no exterior.

No início de sua exposição, Cunha havia dito que não responderia questões sobre trustes a ele relacionados, como Orion e Triumph. Recorrendo a notas taquigráficas obtidas durante a votação da admissibilidade do processo, Sandro Alex disse que o conselho está autorizado a investigar a origem desse dinheiro e que, portanto, os demais trustes podem constar no relatório a ser preparado pelo deputado Marcos Rogério (DEM-RO).

"Vou me ater aos fatos provados na admissibilidade. Em primeiro lugar, o que estamos avaliando é a existência de dinheiro no exterior. Em segundo, a origem lícita desse dinheiro. Esses são os aspectos que a população quer saber, porque [esse] truste [ao que parece, pelas palavras de Cunha] não tem dono, não é conta, não é investimento, não é patrimônio. É apenas uma bênção, uma expectativa divina", disse Sandro Alex.

Em resposta, Cunha disse que o inciso ao qual as notas taquigráficas se referiam "foi afastado" e, portanto, não teria validade. "Mantenho na íntegra todo meu depoimento à CPI da Petrobras", afirmou. De acordo com o deputado afastado, "a remessa do Ministério Público da Suíça não atribui a mim a conta bancária em questão", acrescentou.

Anteriormente, Cunha havia dito que seus recursos tinham como origem atividades de comércio exterior feitas ainda na década de 1980. Levantando dois passaportes seus e dizendo que eles comprovariam a grande quantidade de viagens feitas em função dessas atividades, principalmente à África, Cunha informou que isso foi feito em uma época anterior a seu ingresso na vida pública.

Netrherton

Segundo ele, esta é a origem do dinheiro do truste na Suíça. "A década de 80 era um período de inflação, com dificuldades de muitas naturezas. Era outro Brasil. Foi esse o patrimônio doado posteriormente ao truste. Eu não detinha vida pública naquele momento."

Reiteradas vezes Cunha se recusou a responder sobre os trustes Orion e Triumph, por não serem o objeto da representação apresentada no conselho. Portanto, só responderia os relacionados ao truste Netrherton. "Qualquer outra natureza que não seja a da representação já teve resposta de natureza pública por mim ou por meu advogado", concluiu Eduardo Cunha.

Conforme o presidente afastado, essas respostas estariam disponíveis nos inquéritos abertos contra ele.

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