Greve dos professores estaduais do Rio completa quase três meses

Flávia Villela - Repórter da Agência Brasil

Iniciada há quase três meses, a greve dos professores da rede pública do estado do Rio de Janeiro chega a cerca de 70% dos profissionais e deve continuar por tempo indeterminado, informou o Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe). Uma assembleia geral foi marcada para amanhã (24) às 10h, na Quadra da São Clemente, Centro do Rio,  e logo depois haverá um ato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).  Uma das diretoras do Sepe, Rose Cipriano, diz que o governo ainda não sinalizou com nenhum tipo de reajuste salarial e tem protelado a implementação das propostas acordadas.

"A proposta do governo é zero porcento de aumento para uma categoria que está desde 2014 sem ajuste. E os pontos acordados ainda não foram encaminhados para votação, como eleição para diretores [pelo voto da comunidade] com cronograma desse ano apontando para uma data no ano que vem, e na pauta pedagógica, a implementação da lei de 2008 [Lei 11.738] de um terço da carga horária para planejamento das aulas, com cronograma."

O sindicato aguarda nova audiência com o secretário estadual de Educação, Wagner Victer, ainda nesta semana. "Para se posicionar nos pontos que não estão avançando e a sobre a situação da categoria e das escolas", disse a professora.

A Secretaria do Estado de Educação foi procurada para comentar sobre a greve, mas não respondeu até a publicação da edição.

Reintegração

Além da greve, iniciada em 2 de narço, mais de 60 escolas estão ocupadas por alunos, cerca de 5% das escolas públicas do estado, segundo a secretaria estadual de Educação. Rose Cipriano também condenou a atuação da Polícia Militar na madrugada de sábado (21), quando a Tropa de Choque retirou à força estudantes que ocupavam a sede da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), no centro do Rio, desde o início da tarde de sexta. Algumas pessoas passaram mal com o gás de pimenta e outros desmaiaram. A Polícia Militar informou que a reintegração ocorreu depois de esgotada toda forma de negociação.

"Foi uma ação violenta e truculenta. Havia menores de idade que saíram machucados. Responsabilizamos a Seduc na primeira atuação do novo secretário que não conseguiu encaminhar essas questões de forma democrática e através do diálogo", disse.

Horas antes da chegada dos policiais militares, os estudantes haviam se reunido com Victer por cerca de quatro horas, em que reivindicaram eleição direta para diretores, melhorias físicas nas escolas, entre outras mudanças. A secretaria informou que os estudantes haviam concordado em se retirar do prédio e que cerca de dez ocupantes ainda permaneceram no local, se recusando a sair e gerando impedimento ao livre trânsito dos funcionários da secretaria.

A Secretaria de Educação divulgou que usou mecanismo previsto no Código Civil que autoriza a retomada da posse para a proteção do patrimônio público e dos funcionários da Secretaria de Educação. A pasta declarou que continuará, no âmbito criado pela Justiça, Ministério Público e Defensoria, promovendo reuniões de conciliação com os representantes dos alunos.

A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro também criticou o uso de força pela Polícia Militar, e disse que foi desproporcional e ocorreu sem autorização judicial.

 

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