Estivadores de Lisboa fazem greve há 35 dias e porto mantém serviços mínimos

Marieta Cazarré - Correspondente da Agência Brasil

Cerca de 260 estivadores do Porto de Lisboa estão em greve há 35 dias. O porto está praticamente parado, fazendo apenas os serviços mínimos, como a retirada de contêineres com alimentos. No início da tarde de hoje (24), cerca de 40 estivadores protestavam no porto, enquanto a Polícia de Segurança Pública fazia o controle do local. A polícia foi chamada para evitar conflitos porque, durante a manhã, funcionários da empresa Porlis, não filiados ao sindicato, haviam chegado para trabalhar na retirada de contêineres retidos no porto.

António Mariano, presidente do Sindicato dos Estivadores, afirmou à Agência Brasil que o conflito ocorre principalmente pelo fato de as empresas que operam no porto estarem contratando estivadores com salários mais baixos, entre 500 e 600 euros, colocando em desequilíbrio financeiro a atividade. "O que está acontecendo aqui é um choque entre dois modelos de sociedade. São as empresas que acham que todos podemos trabalhar a 500 euros em regime precário, e nós, que não aceitamos essa situação e queremos que todos tenham o nosso estatuto profissional, com melhores condições e contratos mais permanentes", afirmou.

Os operadores anunciaram ontem (23) demissões coletivas por redução da atividade, depois de o Sindicato dos Estivadores ter recusado, na sexta-feira (20), proposta para um novo contrato coletivo de trabalho. Hoje, a Associação de Operadores do Porto de Lisboa (AOPL) anunciou que as demissões coletivas anunciadas ontem (23) podem ser evitadas se os trabalhadores chegarem a acordo ainda nesta semana.

De acordo com António Mariano, os estivadores querem a saída da empresa Porlis e a manutenção dos postos de trabalho, para que possam voltar a trabalhar. A previsão é de que, sem acordo, a greve siga até o dia 16 de junho. "Penso que as afirmações dos patrões [de demissões coletivas] foram mais uma provocação, uma tentativa de criar pânico, terrorismo psicológico", afirmou.

Morais Rocha, presidente da AOPL, disse à Agência Lusa que as demissões são sempre o último recurso e, por isso, a associação aguenta esses prejuízos. Só que agora não estamos vendo o fim desta situação. Não aguentamos até 16 de junho pagando salários, tendo encargos. Agora, se houvesse vontade por parte dos trabalhadores e do sindicato de chegar a acordo ainda esta semana, poderíamos evitar as dispensas", acrescentou.

"A situação é muito complicada. O sindicato quer o monopólio de todo o trabalho da área portuária e nos outros portos não é assim. É uma exigência à qual não podemos ceder, porque as empresas têm de ter liberdade de gestão", afirmou Morais Rocha.

António Mariano garantiu a manutenção dos serviços básicos. "Tudo o que são bens deterioráveis, alimentares, granéis para as ilhas, está sendo feito".

A Agência Brasil tentou contato com a Associação dos Agentes de Navegação de Portugal (Agepor) e com a Associação dos Operadores do Porto de Lisboa, mas não obteve resposta.

De acordo com o periódico português Expresso, o diretor executivo da Agepor, António Belmar da Costa, afirmou que, nos últimos dez anos, houve redução de um terço na operação portuária de Lisboa. "Mesmo que não haja uma paralisação da atividade de estiva, só o fato de haver um pré-aviso de greve leva os armadores a evitar o risco potencial de ter um navio parado durante um ou dois dias, o que custa muito dinheiro para quem gere uma frota de navios mercantes", disse.

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