Ministro das Cidades determina mudança no comando do metrô do Recife

Sumaia Villela - Correspondente da Agência Brasil

O engenheiro mecânico Leonardo Villa Beltrão assume interinamente o comando da Superintendência Regional da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) no Recife, responsável pelo metrô da cidade. Beltrão, que é funcionário de carreira da empresa, substituirá Clélio Correa de Lima. A mudança foi determinada pelo ministro das Cidades, Bruno Araújo.  

Segundo Leonardo Beltrão, o convite foi feito no fim da manhã de hoje. "Foi o próprio ministro que ligou para mim e pediu para asumir interinamente. Vou ainda conversar com ele, mas pelo que entendi a minha missão é fazer um levantamento da empresa, realizar um planejamento que tenha o reconhecimento de toda a empresa, com a participação de todas as áreas, para que a gente possa realmente formular um planejamento de curto e longo prazo para dar uma melhorada na CBTU", disse o engenheiro.

De acordo com nota do ministério, será uma "administração interina até que o Ministério defina a equipe que irá enfrentar os desafios de devolver à população do Recife e região metropolitana uma operação digna de transporte público". "O Ministério das Cidades trata o assunto como prioridade e está empenhado em encontrar o melhor conjunto de profissionais para a missão de tirar o Metrô do Recife (Metrorec) da situação calamitosa em que se encontra", acrescentou a nota.

Beltrão chegou a ser cotado para a superintendência no governo da presidenta afastada Dilma Rousseff. O engenheiro integra os quadros da CBTU desde 1983 e participou da fundação da companhia. Passou por várias gerências nos últimos anos, das quais a última foi a de Obras, cargo que ocupou até agosto do ano passado.

O ex-superintendente Clélio Correa de Lima Neto, que é procurador federal da Advocacia-Geral da União (AGU), foi indicado pelo deputado federal Sílvio Costa (PTdoB -PE), aliado da presidenta afastada. O filho de Costa, João Paulo Costa, é, atualmente, gerente regional de Planejamento da companhia. 

Por telefone, a assessoria da CBTU no Recife informou que aguarda uma notificação oficial da troca no comando da empresa para se manifestar.

Cortes

O engenheiro Leonardo Beltrão assume a CBTU após a empresa sofrer um corte de recursos neste ano de cerca de 38% do previsto inicialmente, o que influenciou a operação dos sistemas . No Recife, R$ 104 milhões previstos foram reduzidos a quase R$ 51 milhões. Aliado a isso, os registros de assaltos e defeitos no metrô da cidade têm sido constantes.

Questionado sobre o desafio de gerir o sistema nas atuais condições, o novo superintendente afirmou que acredita em uma diposição do ministério para reforçar o orçamento da empresa. "Se está convidando uma pessoa que conhece a empresa para fazer esse levantamento e um planejamento é porque ele tem interesse em aportar mais recursos, está com outros olhos para o metrô. No ligeiro papo que tive, o ministro demonstrou claramente que tem interesse em fazer melhorias. Agora, a gente não tratou ainda como está esta fase de orçamento, até porque muita coisa está sendo tratada no Congresso, e acho que ainda vai se estudar como será possível", disse.

Leonardo Beltrão também defende um acordo amplo entre os governos federal, estadual e municipal para recuperar o metrô. "O que tem que ser reconhecido por todos é que a CBTU é um patrimônio estimado entre R$ 20 e 30 bilhões. São poucas as capitais do Brasil que tem metrô, e quando tem precisa muito do metrô para a mobilidade. Acho que a gente pode precisar também do apoio do estado e da prefeitura".

Sindicato 

O presidente do Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro-PE), Diogo Morais, considerou positiva a nomeação de um funcionário de carreira para a superintendência. "É um técnico que tem experiência no setor. A gente se coloca contra indicações políticas na empresa, principalmente por atuarmos em uma área muito técnica, que é a de transporte. Pelo diálogo que a gente já tem eu entendo que é uma boa indicação".

"É lógico que, até para que ele consiga mudar o cenário atual do metrô, que a gente precisa de ajuda do governo federal e da administração federal. A gente precisa de recursos. Não adianta colocar uma pessoa competente e não dar condições para trabalhar".

O sindicato atuou recentemente em manifestações contrárias ao governo interino e ao impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, mas Diogo Morais argumenta que as duas causas devem ser separadas. "Uma coisa é a relação com a política nacional, outra é a relação nossa instituicional com a empresa. A gente inclusive sempre se posicionou contra a posição do governo anterior de indicar pessoas que não eram técnicas, que não eram de carreira. E o que a gente acha que é certo a gente vai elogiar, se posicionar a favor". "Que não seja apenas um tapa buraco para tirar o que está hoje, e lá na frente substituir por um político, uma pessoa que não conhece a realidade da empresa", acrescentou Morais.

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