Detentos recebem visita uma semana após rebeliões e mortes em presídio do Ceará

Edwirges Nogueira - Repórter da Agência Brasil

Após as rebeliões do último fim de semana, que causaram 18 mortes, as visita no Complexo Penitenciário de Itaitinga 2 foram liberadasEdwirges Nogueira/Agência Brasil

O movimento de pessoas na portaria do Complexo Penitenciário de Itaitinga 2, a cerca de 30 quilômetros de Fortaleza, era intenso por volta das 7h30 de hoje (28), dia marcado para a retomada das visitas aos detentos, após as rebeliões do último fim de semana, que causaram 18 mortes.

Sábados e domingos são dedicados à visitação feminina. Muitas mulheres carregavam sacolas com garrafões de água, comida, colchões e colchonetes - para repor os que foram queimados durante os motins. Devido à distância entre a portaria e a entrada das unidades prisionais, algumas pagavam R$ 2 para que homens com carrinhos de mão levassem o material.

No complexo, estão localizadas três Casas de Privação Provisória de Liberdade (CPPLs) e as obras de outras duas unidades. Uma delas, com 95% de conclusão, de acordo com a Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus), recebeu presos transferidos por estarem sendo ameaçados de morte. Na madrugada de quarta-feira (25), 22 deles fugiram.

Rafaelle Alves da Mota Teixeira, de 24 anos, foi ao complexo deixar alguns itens para o marido, preso há duas semanas e alojado na CPPL 3. Por ainda não ter o cartão de acesso ao local, não pôde entrar; tinha permissão só para entregar as coisas. No entanto, ela já teve notícias de que o marido está bem. "Fiquei com medo de ter acontecido algo com ele, porque tinha muita zoada de bala por todo o canto. Até dormi aqui no fim de semana passado, mas não deixaram entrar. Quando ele me ligou, eu me conformei mais."

A vendedora Jéssica Nascimento, de 22 anos, estava mais preocupada com o marido, que é interno da CPPL 4 há um ano e meio. Segundo ela, o companheiro havia ligado do celular de outro detento e dito que havia sido baleado na coxa durante os conflitos. "Eu senti tanta coisa ruim, me perguntei se tinham matado ele. Liguei para cá, mas ninguém atendeu. Não pude vir aqui porque estava operada. Só hoje vou saber como ele está."

No complexo, também havia movimento constante de viaturas da Polícia Militar, que fazem a segurança das unidades em conjunto com os agentes penitenciários. Por volta das 10 horas, um veículo da Força Nacional com quatro agentes entrou no complexo. As tropas chegaram na noite de quinta-feira (26) para dar apoio à estabilização do sistema penitenciário.

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