Em São Paulo, chuvas alagam novamente a Vila Itaim

Flávia Albuquerque - Repórter da Agência Brasil

Depois das fortes chuvas que atingiram a cidade de São Paulo nos últimos dias, algumas ruas da Vila Itaim, no extremo leste da capital paulista, estão alagadas, gerando transtornos e dificuldades para quem mora no local. A situação é frequente no bairro quando chove, como contam os moradores e o próprio subprefeito de São Miguel, Adalberto Dias de Souza, responsável pela região.

"Todo verão, quando tem chuva pesada, acontecem os alagamentos, que costumam ser maiores do que este. Desta vez, inundaram cinco ruas, porque foi uma chuva rápida, localizada e fora de época. As ruas ficaram com 50 a 70 centímetros de água e em alguns lugares, com lâminas de 15 centímetros. A inundação ocorre porque os córregos enchem, e como o leito do Rio Tietê está assoreado, não tem vazão para a água dos córregos", disse Souza.

Segundo ele, a solução já foi encontrada tanto pela prefeitura quanto pelo governo do estado. "É preciso construir um pôlder, que é uma espécie de piscinão. O governo do estado se comprometeu, mas até agora não começou a obra. Se não limpar o rio e não fizer o piscinão sempre vai ter enchente". Souza disse que a expectativa é a de que a água baixe ainda hoje e assim que as ruas estiverem livres, assistentes sociais percorrerão as casas atingidas para saber quais as necessidades imediatas dos moradores.

Morador do bairro há 20 anos, o porteiro José Jorge Santos, de 62 anos, mora na rua Ambuá e contou que apesar de diversas reuniões com governo do estado e prefeitura, com promessas de melhoria, nada foi feito ainda. Ele reclamou que, mesmo com os moradores pagando impostos e contas, nenhuma providência é tomada.

"Antes enchia, mas a água ia embora. De 2009 para cá, enche e não vaza. Desde maio estamos assim. Desta vez não encheu minha casa, que é um sobrado. Mas, em março, encheu e eu fiquei cinco dias sem sair, porque a água vinha na cintura. A chuva de agora só encheu mais. Eu só saio de casa se puder passar com a bota, caso contrário não me arrisco nessa água suja. O pior é que vender a casa e ir para outro lugar é impossível, porque ninguém vai querer comprar".

De acordo com o cozinheiro Davi Milanez, que tem 53 anos e mora no bairro desde que nasceu, o problema existe há 20 anos, quando começaram a mudar o leito do Rio Tietê. "Desde então, fica assim. Aí você reclama e mandam você reclamar com outro órgão. Ontem, aqui onde estamos, não dava para ficar. Se virar o tempo e começar a chover, a água já invade de novo. Agora, temos prejuízo aqui duas vezes por ano. Meu filho perdeu uma máquina de lavar novinha. Todo ano tem sofrimento aqui".

Também morador do bairro desde que nasceu o coletor Giovane Rodrigues da Silva, de 36 anos, disse que está alojando sua sogra em outro lugar, porque ela não consegue entrar em sua casa, devido ao alagamento. Segundo ele, a casa de sua mãe também está alagada. "Nós ficamos à mercê dos governantes, que dizem que vão resolver a situação, mas até agora ninguém deu nenhuma solução. Quando alaga, as pessoas ficam sem ter como sair de casa até para trabalhar. Quando percebemos que vai chover muito, pedimos para a escola abrir as portas para abrigar as pessoas."

As assessorias da prefeitura do governo do estado foram procurados, mas não responderam à solicitação até o momento desta publicação.   

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