Jogador nega ter conhecimento de segundo vídeo sobre estupro coletivo

Flávia Villela - Repórter da Agência Brasil

A delegada Cristiana Bento, titular da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima, que está à frente das investigações sobre o estupro coletivo de uma adolescente de 16 anos no Rio de Janeiro, ouviu novamente hoje (8) o jogador de futebol Lucas Perdomo Duarte, 20 anos, para tirar dúvidas que surgiram ao longo do inquérito, como a localização da primeira casa para onde a vítima foi levada.

"Ele descreveu a primeira casa e disse que não tinha conhecimento do segundo vídeo", informou a delegada. O jogador chegou a ser preso acusa de ser um dos autores do estupro, mas foi posto em liberdade um dia depois a pedido de Cristiana Bento, que considerou não haver provas suficientes para mantê-lo preso.

Durante as investigações, foi encontrado um segundo vídeo, obtido no aparelho celular do suspeito Raí de Souza, que está preso. A perícia ainda está sendo feita. Nesse segundo vídeo, a adolescente tenta reagir ao estupro, ainda que dopada. Além de Raí, também está preso Raphael Assis Duarte Belo, de 41 anos, que aparece em uma foto sorrindo ao lado do corpo nu da jovem. No primeiro vídeo, ela aparece nua e desacordada enquanto suas partes íntimas são tocadas pelos rapazes.

Após laudo pericial do primeiro vídeo veiculado em redes sociais sobre o estupro coletivo da jovem, os peritos criminais constataram quatro vozes masculinas no local. As investigações continuam em andamento. Cinco suspeitos tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça, mas continuam foragidos: Moisés Camilo de Lucena, conhecido como "Canário"; Marcelo Miranda, Michel Brasil, Sérgio Luiz da Silva Junior e o indivíduo conhecido como "Jefinho".

O pai de Lucas, Sílvio César Duarte Santos, disse que o filho não entendeu por que foi chamado novamente, mas está tranquilo, pois "não deve nada a ninguém". "[Ele] está tranquilo para responder o que for perguntado, porque é inocente. Só quero que isso tudo acabe para podemos viver em paz", afirmou Santos.

Exoneração

Ontem (7), o delegado Alessandro Thiers, que iniciou as investigações do caso, foi exonerado do cargo de titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática. Após ser acusado pela vítima de machismo e misoginia, ele foi afastado das investigações, conduzidas atualmente pela delegada Cristiana Bento. O Ministério Público do Rio pediu abertura de inquérito para apurar a conduta dele ao longo do caso.

A assessoria de comunicação da Polícia Civil informou que Thiers foi afastado da delegacia em razão do intenso por que passou durante a condução do inquérito policial do caso. "Ainda que o delegado tenha demonstrado durante sua administração elevada competência, confirmada pela deflagração de diversas operações policiais e investigações de qualidade, a chefia entende necessária a preservação da gestão da delegacia especializada diante do volume e da complexidade das demandas diariamente recebidas", informou a corporação. O cargo foi assumido pela delegada Daniela Terra, que era titular da 33ª Delegacia de Polícia, de Realengo.

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