Polícia Federal cumpre mandados contra magistrados em Manaus

Bianca Paiva - Correspondente da Agência Brasil

Dois magistrados, quatro advogados e dois servidores do Judiciário foram alvo na manhã de hoje (9) da Operação La Muralla II, deflagrada pela Polícia Federal, em Manaus. A PF cumpriu 15 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em escritórios de advocacia, gabinetes e secretarias do Tribunal de Justiça do Amazonas e do Fórum Henoch Reis, além das residências dos investigados.

A ação é um desdobramento da Operação La Muralla, realizada em novembro de 2015, e tem o objetivo de aprofundar as investigações que envolvem a suposta participação de autoridades do Judiciário e advogados em um esquema de negociação de sentenças judiciais para beneficiar integrantes de uma facção criminosa de tráfico de drogas e atuante no controle de presídios no estado. Na época, 90 pessoas foram presas, suspeitas de participar da organização, entre elas, traficantes e advogados.

"Mensagens e diálogos captados durante a operação La Muralla apontam suposta participação de membros do Poder Judiciário do Amazonas nessa negociata de decisões judiciais. Isso ficou bastante evidente durante as investigações da operação La Muralla", disse o superintendente regional da Polícia Federal no Amazonas, Marcelo Resende, durante entrevista coletiva, na sede do órgão.

Resende explicou o motivo pelo qual os investigados não foram afastados dos cargos. "Com certeza, o STJ apreciou todas as circunstâncias e os fatos e entendeu que não cabia essa suspensão, no momento do exercício da atividade, Obviamente, se surgirem fatos que possam ensejar essa medida, eu tenho certeza que isso possa ser considerado pelo STJ, no futuro", afirmou.

A Ordem dos Advogados do Brasil, no Amazonas, acompanhou a ação da Polícia Federal. O procurador de Direitos e Prerrogativas da entidade, Alan Feitosa, critica a operação e defende os profissionais supostamente envolvidos no esquema criminoso.

"A medida é absolutamente absurda, porque o que se busca na verdade é a indignação do Poder Público nas decisões favoráveis às solturas. As decisões de liberdade provisória ou de prisão domiciliar nos autos processuais são certamente fundamentadas. E os advogados, que são criminalistas, na verdade, estão sendo alvos dessa indignação. Não há sequer uma prova cabível ou suficientemente que comprove crime por parte do Tribunal de Justiça ou, inclusive, dos advogados", disse o representante da OAB-AM.

As investigações correm em segredo de justiça no STJ por envolverem autoridades com foro privilegiado. A segunda fase da Operação La Muralla contou com a participação de mais de 100 policiais federais. A assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça do Amazonas informou que o órgão não iria se manifestar sobre a ação.

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