Laboratório da Eletronuclear passa a integrar rede que analisa radioatividade

Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

O Laboratório de Monitoração Ambiental da Eletronuclear receberá oficialmente a designação de membro da rede internacional de Laboratórios Analíticos para Medição da Radioatividade Ambiental (Almera, do nome em inglês), criada pela Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), em 1995. A solenidade será realizada hoje (10), na Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, em Angra dos Reis, na Costa Verde do estado do Rio de Janeiro.

Para o presidente da Eletronuclear, Pedro Figueiredo, a entrada na rede Almera atesta o reconhecimento internacional da excelência do Laboratório de Monitoração Ambiental da estatal brasileira. "Isso é uma garantia de que as amostras e as análises que o laboratório faz no entorno da usina podem ser cotejadas internacionalmente. É uma coisa bastante importante, porque eleva o laboratório a um patamar de qualificação muito alto".

Figueiredo explicou que, para entrar na rede Almera, um laboratório tem que cumprir requisitos, amostras e fazer  intercomparações. "É uma coisa bastante significativa para nós", reiterou.

A rede Almera engloba 149 laboratórios de 84 países, capacitados para fornecer uma análise confiável e oportuna de amostras ambientais em caso de liberação acidental ou intencional de radioatividade.

Angra 3

Pedro Figueiredo adiantou que a Eletronuclear está em negociação com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Ministério de Minas e Energia para tentar encontrar uma solução para a Usina Nuclear Angra 3, cuja construção está paralisada, em função de investigações sobre irregularidades ligadas à obra. Uma reunião para tratar do assunto está programada para a próxima semana, em Brasília.

A auditoria contratada pela Eletrobras investiga as condições de todos os contratos das obras de Angra 3, que foram suspensos, bem como as fontes de financiamento, para apurar esquema de corrupção entre funcionários da Eletronuclear e fornecedores.

O ex-presidente da Eletronuclear, almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, é suspeito de ter recebido R$ 4,5 milhões de propina em contratos da Andrade Gutierrez e da Engevix, de acordo com a Polícia Federal.

O contrato de financiamento do BNDES para Angra 3 foi firmado em fevereiro de 2011, totalizando R$ 6,146 bilhões. O BNDES confirmou que está analisando as propostas apresentadas pela Eletronuclear visando a possibilidade de renegociação do contrato, uma vez que o prazo de carência está se aproximando do final.

Do total contratado de R$ 6,1 bilhões, foram desembolsados R$ 2,6 bilhões. As liberações do BNDES foram suspensas há um ano devido a fatores diversos, entre os quais denúncias de irregularidades na construção da usina, envolvimento de dirigentes da empresa na Operação Lava Jato e falta de garantia para as contrapartidas contratuais, informaram fontes ligadas à negociação.

A expectativa é que todo o processo envolvendo a usina, com estabelecimento de novo preço para a energia gerada e novo cronograma da obra, esteja encerrado até o segundo semestre. Como serão necessários três anos para a construção, Angra 3 deverá entrar em operação somente em 2020.

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