Militantes desocupam ministério, mas divulgam carta defendendo SUS

Sayonara Moreno - Correspondente da Agência Brasil

Um dia após desocuparem o Núcleo Estadual do Ministério da Saúde, em Salvador, militantes divulgaram hoje (14) uma carta aberta, na página do grupo, nas redes sociais. Desde 30 de maio, representantes das frentes Brasil Popular Povo Sem Medo e defensores do Sistema Único de Saúde (SUS) ocupavam o espaço, no centro da capital baiana.

A decisão pela saída ocorreu ontem (13), quando o ministro da Saúde, Ricardo Barros, veio à cidade cumprir agenda oficial. Apesar da visita, o coletivo nega que a vinda do ministro foi fundamental para a decisão. Segundo uma das integrantes da ocupação, Polyana Loureiro, um grupo de pessoas que estava na sede do Ministério da Saúde chegou a ir em um dos eventos onde estava o ministro para protestar contra ele e contra o governo federal interino.

Ela conta que a desocupação deu-se em um momento estratégico, a partir do qual as pautas serão levadas para as ruas. Além disso, em assembleia, foi criado o Comitê de Defesa do Sistema Único de Saúde (SUS). É para pautar ações relacionadas à saúde.

"Estar lá, no local, é um processo cansativo e estressante. Portanto, nós avaliamos em assembleia que, no decorrer desses 15 dias, acumulamos um processo formativo e criamos uma rede de contatos aqui de Salvador, tanto de trabalhadores quanto de organizações que constroem a luta pelo SUS e em defesa da democracia. Percebemos que a ocupação estava como água parada, que precisava correr, já que não estávamos conseguindo a visibilidade que era necessária para as nossas pautas, apesar de haver outras ocupações em outras cidades", explica Polyana, que também é integrante do Levante Popular da Juventude.

Argumentos

A carta aberta, divulgada hoje, detalha os motivos pelos quais o grupo decidiu ocupar o Ministério da Saúde em Salvador e desocupar. Relata as principais reivindicações e detalha o que foi deliberado. No texto, além da defesa do SUS, estão, também, críticas ao presidente interino Michel Temer.

"A #OcupaSUS-BA, além de denunciar o golpe e suas implicações e ameaças ao SUS, cumpriu importante papel na articulação de diferentes setores na luta pela democratização da saúde. Cidadãos sensíveis às causas democráticas e sociais, organizados ou não em movimentos sociais e partidos políticos, tiveram a oportunidade de se encontrar e se integrar, em sua diversidade, a uma luta unitária repleta de aprendizagem, solidariedade e ânimo para a luta. Foram movimentos de trabalhadores de saúde, estudantes universitários e secundaristas, juventude, professores, moradores de rua, sindicatos, conselheiros de saúde distritais, municipais e estadual, movimentos de mulheres, LGBT, anti-racista, anti-proibicionista, anti-manicomial, da cultura, da educação, parlamentares de partidos de esquerda", diz um trecho da carta, publicada numa rede social.

"Foi formado o comitê das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo para pautar algumas ações. Nós já temos uma agenda e, na próxima sexta-feira, teremos a primeira reunião pós-ocupação. E a gente está pensando em ações como ir aos bairros de Salvador, fazer atividades ligadas à saúde da família, para levarmos o debate relacionado ao SUS e ao momento em que vivemos, o do golpe", completa a militante Polyana Loureiro, referindo-se ao impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff, processo contra o qual o grupo também se posiciona.

Desafio

A decisão de sair do espaço interno do edifício [do Ministério da Saúde] e ir às ruas também consta da carta aberta do coletivo. Segundo o texto, os militantes estão prontos para "encarar o desafio."

"A organização incubada nesses 15 dias na ocupação no MS (Ministério da Saúde) na Bahia está pronta para se lançar no desafio de ocupar as ruas, as instituições e as casas de toda a cidade de Salvador, interiorizar a luta e, com o debate fraterno e honesto dos rumos do nosso País e da saúde, animar a cidadania na construção de uma sociedade e um Estado cada vez mais democrático!", finaliza a carta.

Um dos principais pontos criticados pelos ex-ocupantes é a dificuldade de investimento no SUS, levantada pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros.

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