Argentina publica inflação oficial pela primeira vez em seis meses

Monica Yanakiew - Correspondente da Agência Brasil

Pela primeira vez em seis meses, a Argentina divulgou hoje (15) o índice oficial de inflação. Em maio, os preços na Grande Buenos Aires (capital e arredores) subiram 4,2% em relação a abril.

A medição foi realizada pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), o equivalente argentino do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O último índice oficial foi divulgado no ano passado. Em dezembro, logo após tomar posse, o presidente Mauricio Macri suspendeu o levantamento de preços em vigor para criar e implementar uma nova metodologia para o índice.

As estatísticas do Indec vinham sendo questionadas há nove anos, quando o então presidente Néstor Kirchner determinou a intervenção no instituto, que previa uma inflação superior a 2% para janeiro de 2007. Néstor, que estava em campanha para eleger sua mulher, Cristina Kirchner, como sucessora, alegou que a metodologia utilizada para calcular o aumento dos preços estava equivocada. Após a intervenção, o índice na ocasião foi revisado para baixo, para 1,1%.

Economistas do setor privado e partidos de oposição acusaram os governos Kirchner de manipularem os dados para esconder os verdadeiros índices de inflação e pobreza. Os números oficiais também foram questionados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

O governo, por sua vez, acusava as consultoras privadas de levarem em consideração uma amostra pequena de produtos e as proibiu de divulgarem informações ao consumidor.

Extraoficial

Diante do impasse, o Congresso argentino passou a publicar seu próprio índice de inflação, com base nos cálculos feitos por consultoras privadas, que sempre era mais alto que o oficial. Mesmo com a troca de governo e a decisão de Macri de suspender as medições do Indec, o Congresso manteve a divulgação de seu índice extraoficial.

Segundo o Congresso, a inflação de maio foi de 3,5%. Ao assumir, Macri prometeu combater a inflação de dois dígitos anuais mas, nos últimos meses, o aumento das tarifas públicas contribuiu para o encarecimento dos preços no país.

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