Polícia Civil investiga roubo de dados de torcedores do Atlético-MG

Léo Rodrigues - Correspondente da Agência Brasil

Os torcedores do Atlético-MG Renato Fernandes, Marcos Egg Nunes e Assahaf Lescano tiveram um problema semelhante nos últimos meses: seus cartões de crédito foram utilizados em transações desconhecidas. Os três fazem parte de um mesmo grupo nas redes sociais que reúne torcedores do time mineiro e quando um outro participante contou ter passado pela mesma situação, desconfiaram da situação e procuraram a Polícia Civil. Ontem (14), um inquérito foi aberto para investigar o roubo de informações de cartões de crédito da base de dados do Galo Na Veia, o programa de sócio torcedor do clube.

O advogado Marcos Egg Nunes recebeu em seu celular uma mensagem do Banco do Brasil no fim de março informando uma compra de aproximadamente R$3 mil em uma loja de games. Imediatamente, contestou a cobrança. "Foi tudo muito rápido, liguei minutos após receber o aviso. O valor nem chegou a ser lançado na fatura".

Já o engenheiro de software Assahaf Lescano precisou aguardar o estorno de valores no mês seguinte e teve que cancelar o cartão. "Por sorte, minha dor de cabeça não foi tão grande, pois foram feitas três compras pequenas, sendo duas recargas de celular. Meu banco envia mensagens para o celular em compras online acima de R$ 30. Não sei se suspeitaram, mas só fizeram compras abaixo desse valor."

O cartão de crédito do também advogado Renato Fernandes foi usado para compra de passagens aéreas e para uma assinatura anual de um canal de esportes, num total de cerca de R$1,7 mil. "Como o padrão de gastos no cartão em um curto período foi maior que o habitual, o banco entrou em contato para confirmar a última compra. Assim pude cancelá-la e, no dia seguinte, contestar as outras duas. Recebi o estorno antes do fechamento da fatura, mas tive que pedir um novo cartão."

Fernandes disse que ficou surpreso quando o assunto surgiu no grupo de torcedores. "Um bom tempo depois, o pessoal reclamou da mesma coisa e eu liguei os fatos", lembrou.

A denúncia ganhou corpo a partir das redes sociais. Diante dos relatos de vários torcedores, a Polícia Civil começou a desconfiar que o problema teria origem na base de dados do Galo Na Veia. A investigação está sob a responsabilidade do superintendente André Pelli, que também é sócio torcedor e teve transações de R$ 460 não autorizadas registradas em seu cartão de crédito.

Investigação

Há cerca de dois meses, o Atlético-MG transferiu para a empresa Ingresso Fácil a gestão do sistema digital de venda dos ingressos de suas partidas. A venda pela internet é exclusiva para sócios do programa Galo Na Veia. A Polícia Civil investigará se o roubo da base de dados ocorreu antes ou depois da mudança. Para isso, aguarda informações do clube, dos responsáveis pelo sistema de vendas de ingressos e das operadoras de cartão de crédito.

Ainda não se sabe quantos torcedores podem ter sido lesados. Alguns bancos, ao tomar ciência do problema, decidiram tomar medidas preventivas para evitar novas transações não autorizadas. O Santander, por exemplo, cancelou automaticamente vários cartões de créditos de torcedores. A Polícia Civil recomenda ainda que os demais torcedores que passarem pela mesma situação registrem boletim de ocorrência.

O Atlético-MG informou que também tomou providências internas relacionadas ao caso. O clube possui contrato com uma empresa internacional especialista em segurança digital, que, até o momento, não identificou nenhuma falha no sistema.

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