Diretor da OMC diz ser difícil prever efeitos da saída do Reino Unido da UE

Daniel Mello - Repórter da Agência Brasil

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevedo, disse hoje (17) que não é possível prever os efeitos de uma possível saída do Reino Unido da União Europeia (UE).

"É muito difícil mensurar o impacto disso para o Reino Unido e para outras economias parceiras do Reino Unido, inclusive o Brasil. Não há uma resposta muito óbvia", ressaltou, após participar do encontro da Câmara Internacional de Comércio.

Para Azevedo, a extensão do impacto será determinada pelas condições que serão estabelecidas com os países que têm acordos comerciais com o bloco europeu. "Ninguém sabe [quais serão os efeitos]. Vai depender das condições de negociação que, ao meu ver, terão de acontecer com todos os países com os quais a União Europeia tem acordos de preferência tarifária", afirmou.

A decisão sobre a permanência do Reino Unido como membro da União Europeia será tomada em referendo na próxima semana. O governo britânico tem se manifestado contra a saída do bloco. No entanto, pesquisas de opinião apontam para a possibilidade de que a votação determine o contrário.

Um relatório da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) - divulgado no início de junho - indicou que a saída do Reino Unido da UE provocaria volatilidade nos mercados financeiros, dificultando o crescimento do comércio global. Além disso, haveria, segundo o documento, efeitos negativos sobre a própria economia britânica.

A estimativa da OCDE é que em 2030, caso seja efetivada a saída do bloco, o Produto Interno Bruto (a soma de todas as riquezas produzidas pelos países) do Reino Unido será 5% menor do que se permanecer na União Europeia.

Brasil

Roberto Azevedo também comentou as mudanças na política exterior brasileira promovidas pelo governo interino, que tem José Serra chefiando o Ministério das Relações Exteriores. "Eu acho que o novo governo tem colocado na pauta a questão do comércio exterior de uma maneira muito evidente. É bom ter essa reflexão porque o comércio exterior tem que deixar de ser um plano C ou D, tem que fazer parte da estratégia de competição das empresas e da economia nacional", disse.

Na segunda-feira (13), o diretor da OMC esteve em Brasília, onde foi recebido pelo presidente interino Michel Temer. Na ocasião, ele negou que haja divergências com as posições de Serra. "É muito importante que fique claro que não tem nenhuma discrepância de visão entre o diretor-geral [da OMC] e o ministro de Estado das Relações Exteriores. Estamos perfeitamente afinados", disse.

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