Beltrame critica Abin por confirmar mensagens em português do Estado Islâmico

Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil

O secretário de Segurança do estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, criticou hoje (17) a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) por confirmar a existência de um grupo de troca de mensagens, em português, com terroristas do Estado Islâmico. Os jihadistas estavam difundindo mensagens de radicalização para o público brasileiro por meio de um aplicativo, tentando atrair novos membros.

"Quando temos investigações de coisas importantes para fazer, a gente não fala. A gente apresenta resultado. Então, para mim, se a Abin confirmou isso, na minha visão, não deveria nem ter confirmado ou desconfirmado", criticou Beltrame, que, segundo ele, como delegado da Polícia Federal, já participou de várias ações na área de inteligência.

A revelação, segundo Beltrame, atrapalha a eventual "antecipação" de ações para coibir os terroristas. "O que a gente tem que fazer é lutar, para, se isso existir, antecipar e não trazer isso para o convívio da população que, sem dúvida nenhuma, causa essa perplexidade", disse o secretário hoje, após participar do lançamento do Dossiê Mulher, uma compilação de dados sobre os principais crimes sofridos pelas mulheres no estado.

Abin

A Abin esclareceu, em nota, que o grupo terrorista atua no aplicativo Telegram, onde conteúdos relacionados a ideologias extremistas são traduzidos para o português. Segundo a agência, a doutrinação extremista, difundida em língua portuguesa, torna mais complexo o combate ao terrorismo e "representa facilidade adicional à radicalização de cidadãos".

O órgão de segurança também informou que o Estado Islâmico tem usado essa técnica em outros países para "ampliar o alcance de suas mensagens de radicalização", em especial, aos jovens.

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