Beltrame propõe amplo debate sobre entrada de armas contrabandandeadas no país

Douglas Correa - Repórter da Agência Brasil

O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José  Mariano  Beltrame      Arquivo/Agência  Brasil

O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, defendeu hoje (17) medidas como sanções comerciais aos países que fazem fronteira com o Brasil, como o Paraguai e o Uruguai, por onde entram armas importadas e contrabandeadas de grande poder ofensivo. Beltrame ressaltou que este não é um problema complexo, mas disse que precisa ser visto como prioridade.

Ele disse que não se pode culpar A ou B, porque, conhecendo-se a fronteira, sabe-se que é uma situação complicada. É preciso, porém, sentar-se e debruçar em cima desse tema, mesmo que, para isso, haja envolvimento de outros países e até sanções comerciais a quem exporta armas ilegalmente. "Não podemos ficar aqui sendo alimentados por um ou dois lugares, gerando no Brasil inteiro uma guerra irregular, porque temos de cumprir uma série de requisitos para comprar uma arma, e essas pessoas trazem de fora armas que não temos aqui, sem nenhum tipo de compromisso."

A declaração de Beltrame foi feita durante o lançamento do Dossiê Mulher, do Instituto de Segurança Pública (ISP). O secretário comentava a morte do narcotraficante brasileiro Jorge Rafaat, de 56 anos, conhecido como Rei da Fronteira, nesta quarta-feira (15). Rafaat teve seu carro alvejado após uma emboscada em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com a brasileira Ponta Porã, a 323 quilômetros de Campo Grande. Os atiradores usaram uma metralhadora antiaérea calibre ponto 50 (que pode derrubar aviões) e dispararam mais de 200 tiros para atingir o carro de Rafaat, acusado de tráfico de drogas pela Justiça brasileira. O criminoso vivia como empresário de sucesso no Paraguai.

Beltrame disse  que, com a morte de Rafaat, o controle do contrabando de armas para o Brasil deve ficar com Primeiro Comando da Capital (PCC) ou o Comando Vermelho (CV). Ele destacou o PCC, que "hoje tem o monopólio da venda de armas para o Brasil. Transporta, armazena, compra e distribui. Isso, na minha experiência, na minha visão, vai ter um impacto muito ruim, principalmente nos grandes centros brasileiros. Assim como aquela metralhadora ponto 50 estava do outro lado da rua, ela poderia estar aqui dentro. E quem garante que equipamentos dessa natureza já não estejam aqui no país?".

O secretário afirmou que, como policial e homem público, viu-se na obrigação de fazer o alerta. "Aqui no país já tivemos cenas cinematográficas, como as ocorridas no Paraguai. No Rio de Janeiro já tivemos situações assim, em São Paulo, e há um mês, em frente ao Hospital Cristo Redentor, em Porto Alegre. Em todas as ações, as armas usadas eram procedentes do Paraguai e também da fronteira com o Uruguai", destacou.

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