Músicos promovem 3º festival latino-americano em Angra sem apoio da prefeitura

Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

A retirada do patrocínio da prefeitura acabou tendo uma repercussão positivaDivulgação/Enangra

Músicos da Bolívia, Uruguai, Peru e Chile vão se juntar a colegas brasileiros na terceira edição do Encontro de Músicos Latino-Americanos, em Angra dos Reis  - Enangra 2016 - que ocorrerá naquele município da Costa Verde do estado do Rio de Janeiro, entre os dias 24 e 26 deste mês.

O evento correu o risco de não ser realizado este ano, porque a atual crise econômica do país tirou o apoio financeiro dado pela Fundação de Cultura da cidade (Fundação Cultuar), embora tenha garantido apoio logístico e ajuda para alimentação e alojamento dos músicos estrangeiros.

Músicos se mobilizaran e resolveram fazer o evento sem apoio governamentalDivulgação/Enangra

O coordenador-geral do Enangra, Leandro Vieira, disse à Agência Brasil que a retirada do patrocínio da prefeitura acabou tendo uma repercussão positiva, na medida em que provocou uma mobilização dos artistas, que resolveram se unir e fazer o evento sem apoio governamental. "Esse vai ser o grande diferencial em relação às edições anteriores. Vai ser um encontro menor, mas com uma forma mais espontânea. Um verdadeiro mutirão", informou Vieira.

O percussionista uruguaio Jonathan Andreoli será o coordenador artístico do encontro, repetindo a função do ano passado. Como o Enangra 2016 terá dois dias a menos que as outras edições, haverá apenas uma oficina gratuita, no sábado (25) à tarde, aberta ao público em geral e a músicos brasileiros que queiram aprender sobre o ritmo chacarera, originário da Argentina. Hoje, o ritmo já é encontrado em vários países da América Latina.

Na oficina, a apresentação será feita pelos músicos uruguaios Jonathan Andreoli, Natália Gularte e Federico Caravatti. "Eles vão mostrar exemplos do ritmo e dar dicas de como tocar a chacarera", diz Leandro Vieira. Os principais instrumentos usados são o violão, ou guitarra, como é chamado em espanhol, e o bombo leguero, que é um instrumento de percussão argentino, cujo nome, leguero, é porque essa espécie de tambor pode ser ouvida até a duas léguas de distância, cerca de cinco quilômetros. "O bombo leguero é fundamental. Esse tambor dá toda a cara do ritmo". Explica Vieira.

No sábado (25) e no domingo (26), pela manhã, os músicos latino-americanos sairão em cortejos musicais pelas ruas de Angra dos Reis, tocando e cantando diversos ritmos de seus países de origem. "Como  não vamos ter grandes shows este ano, devido à falta de dinheiro para pagar os cachês, preferimos fazer dois cortejos pelas ruas do centro da cidade, tocando. Os turistas acabam se empolgando e seguindo os cortejos, explica o coordenador-geral do Enangra. Segundo ele, "Tem muito artista de rua em Angra. Então, o pessoal já está muito bem-adaptado a esse tipo de apresentação. Fica bem cheio. As pessoas se integram bastante".

Como não podem promover este ano os três grandes shows gratuitos dos eventos anteriores, a solução encontrada foi organizar peñas, espécie de saraus musicais, abertos ao público, nos quais os participantes do encontro farão apresentações musicais. Esses saraus ocorrerão na sexta-feira (24) e no sábado (25), à noite, no Convento de São Bernardino de Sena, construído em 1763 e reinaugurado este ano como espaço cultural. As demais atividades ocorrerão na Casa Laranjeiras, construída em 1822 e que integra o patrimônio arquitetônico de Angra dos Reis. O espaço abriga exposições, cursos e oficinas.

Para 2017, a intenção da coordenação geral do Enangra é buscar formas alternativas de patrocínio, para sair da dependência da Fundação de Cultura e poder voltar a produzir os três grandes shows gratuitos para a população.

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