Órgão de recursos hídricos não confirma racionamento na capital

Edwirges Nogueira - Correspondente da Agência Brasil

O secretário de Recursos Hídricos do Ceará, Francisco Teixeira, e o presidente da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), Neurisângelo Freitas, não confirmam que Fortaleza e municípios da região metropolitana terão racionamento de água a partir de agosto.

 

As duas autoridades estiveram na sessão plenária de hoje (22) da Assembleia Legislativa do Ceará e foram pressionadas pelos deputados a esclarecer notícias da imprensa local de que haveria controle de pressão, com consequente redução de vazão, na rede que abastece a população da região.

 

Em entrevista concedida ontem (21) a jornalistas no Aeroporto Internacional Pinto Martins, na capital, Teixeira informou que, diante de uma redução de 20% na oferta de água, proposta pela secretaria, a Cagece começaria a reduzir a vazão de água em determinados bairros em dias alternados a partir do início de agosto. A operação estaria descrita no plano de contingência que a companhia finaliza e que será apresentado no fim deste mês.

 

Redução

 

Na assembleia, Teixeira e Freitas não apresentaram esse detalhamento e evitaram a palavra racionamento, embora tenham dito que haverá uma ação restritiva a partir de agosto para que a região metropolitana conviva com uma redução de 20% na oferta de água até a próxima estação chuvosa, que começa em fevereiro do ano que vem.

 

"Numa situação ideal, nós temos um bombeamento na estação de tratamento durante 24 horas. Se vou ter uma redução, tenho menos água a oferecer. Então, vou ter de controlar a demanda. Para tanto, certamente teremos de pensar em reduções de vazões e de pressão. Não tenho ainda o detalhamento de onde terá ou não água na plenitude. É racionamento? Eu digo que, se tivermos de reduzir a oferta de água, teremos um plano para aplicar de forma que a população tenha o menor prejuízo possível", declarou Freitas.

 

Desde o ano passado, a água distribuída para os municípios da região metropolitana está reduzida em 10%. A proposta da Secretaria dos Recursos Hídricos é reduzir a oferta em mais 10% diante da seca no estado. Este ano, o nível de chuvas ficou 45% abaixo da média histórica, afetando severamente os reservatórios de água, que estão com apenas cerca de 12% da capacidade. O açude Castanhão, que abastece a região, tem somente 8% de sua capacidade.

 

Contingência

 

O secretário de Recursos Hídricos concordou com a declaração do presidente da Cagece e confirmou a proposta da secretaria de reduzir a oferta de água em mais 10%. "Haverá ou não esse racionamento em função do que foi colocado. Acompanhamos a questão de Fortaleza de forma sistemática desde o ano passado. Este ano informamos à Cagece que buscaríamos uma meta de economizar 20%. A companhia tem estudado, feito diagnósticos e vai apresentar a proposta aos órgãos reguladores."

 

No fim do ano passado, a Cagece implementou uma tarifa de contingência para estimular a redução no consumo de água, com base na média de uso dos consumidores da região metropolitana. Embora a meta tenha sido de 10% seis meses depois de iniciada, a economia de fato só chegou a cerca de 5%. Teixeira afirmou que a companhia está conseguindo atingir os 10% devido a outras ações, como interrupção de ligações clandestinas e conserto de vazamentos.

 

A Cagece também planeja fazer o reúso da água da lavagem dos filtros da estação de tratamento de água do açude Gavião, que abastece a região metropolitana. Segundo Freitas, essa medida deve proporcionar 300 litros por segundo, suficiente para abastecer 220 mil pessoas.

 

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