Padre quer mudança no acolhimento de morador em albergue em São Paulo

Bruno Bocchini - Repórter da Agência Brasil

O padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo de Rua, que há décadas trabalha com moradores de rua na capital paulista, defendeu hoje (27), que a prefeitura paulistana altere a forma de acolhimento baseada nos albergues. Segundo ele, o excedente de vagas no sistema mostra que o modelo se esgotou.

"Uma das coisas que nós temos que enfrentar com coragem é que esse modelo, chamado de albergue ou centro de acolhida, é um modelo de 1920/1940 e se esgotou. A prefeitura tem que tem que ter coragem de mudar esse modelo. É um modelo que já as pessoas não suportam mais", disse o padre, em audiência pública realizada pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

Anderson Miranda, do Movimento Nacional da População de Rua, defendeu que municípios e estados assumam um compromisso com os moradores de rua e ampliem as formas de acolhida: "Povo da rua não quer mais albergue. Povo da rua quer [participar do programa] Minha Casa Minha Vida. Povo da rua quer [participar dos programas da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano] CDHU. Quer que o estado assuma responsabilidade, que ainda não assumiu. Que o município assuma, porque ainda não assumiu. A nossa primazia é essa", disse.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alesp,  deputado Carlos Bezerra Jr. (PSDB), considerou que a questão dos moradores de rua em São Paulo precisa de uma ação emergencial e que as atuais políticas públicas não são suficientes: "Temos 113 mortes [de moradores de rua desde o início do ano em São Paulo]. Isso é fato, isso aconteceu. Se não fizermos nada de imediato, de emergencial, está claro para nós que aquilo que está posto, em termos de políticas públicas, não dá conta do problema. O frio está aí e há previsão de que  vai piorar", disse.

A reportagem não conseguiu falar com a prefeitura no final da noite de hoje. Na última nota publicada, a administração municipal disse que, desde 16 de maio, além de 10 mil vagas fixas já existentes em 80 centros de acolhida, o município ampliou a rede em 2.067 leitos. Foram criados alojamentos emergenciais nos bairros de  Casa Verde, Capela do Socorro, Itaim paulista, Itaquera, Lapa, Mooca, Brás, Pirituba, Santo Amaro, Sé e, agora, no Vale do Anhangabaú.

Segundo a nota, além de ampliar vagas de acolhimento e diversificar serviços, a prefeitura de São Paulo também trabalha para promover a autonomia financeira e o resgate social das pessoas em situação de rua: "Por meio do Pronatec PopRua, do Governo Federal, em parceria firmada com o Sistema S, em 2013, as secretarias municipais da Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) e de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC) já ofertaram 1.430 vagas em cursos gratuitos de qualificação profissional para essas pessoas mais vulneráveis".

Entre os cursos estão panificação, jardineiro, pizzaiolo, eletricista, pintor, encanador, zelador, agente de limpeza e conservação, com 1.169 alunos matriculados. Desde então, mais 559 pessoas de 74 turmas de pessoas em situação de rua se formaram em 28 áreas diferentes, segundo a prefeitura.

 

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