Portugal: proposta de referendo não recebe apoio de lideranças políticas

Marieta Cazarré - Repórter da Agência Brasil

A deputada portuguesa do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, sugeriu ontem (26), em Lisboa, que seja feito referendo nacional para definir a posição de Portugal na União Europeia (UE). Catarina afirmou que, caso o país seja alvo de sanções por parte da Comissão Europeia devido ao déficit orçamentário de 2015, deve avaliar se continua na UE. A sugestão da deputada vem depois de o Reino Unido ter decidido, em referendo na semana passada, deixar o bloco europeu.

De acordo com informações divulgadas hoje (27) pelo jornal francês Le Monde, a Comissão Europeia deverá recomendar a aplicação de sanções a Portugal e Espanha por déficits excessivos, no próximo dia 5 de julho.

"Virá o tempo de decidir. Queremos um referendo agora? Nunca colocamos nenhuma consulta popular na gaveta. Virá esse dia de referendo e virá em breve", disse a deputada Catarina Martins.

No entanto, poucas horas depois do pronunciamento de Catarina Martins, o presidente português e líderes de outros partidos se manifestaram contra a realização de um referendo no país.

O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou que o país "quer continuar na União Europeia" e disse que, como a decisão de lançar um referendo cabe a ele, essa questão não está em análise. Rebelo de Sousa disse ainda que é importante que se definam rapidamente como ficarão as relações entre a União Europeia e o Reino Unido.

Pedro Nuno Santos, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, afirmou que não é hora de se pensar em referendos e, sim, de defender a Europa e os povos europeus.

Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta do Partido Socialista (PS), também se posicionou contra a possibilidade de um referendo e disse ser momento de repensar o projeto europeu. Já Assunção Cristas, líder do Partido do Centro Democrático Social (CDS), discordou sobre a possibilidade de um referendo e afirmou ser o momento de refletir sobre "como tornar a Europa mais próxima dos cidadãos".

Pedro Passos Coelho, presidente do Partido Social Democrata (PSD), rejeitou a hipótese de um referendo e afirmou que não há razões para Portugal ser alvo de sanções por parte da Comissão Europeia.

O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), Jerónimo de Sousa, disse que não há necessidade de referendo, mas afirmou que o país deve estar preparado para "se libertar da submissão ao euro". O líder comunista afirmou ainda que a saída do Reino Unido da UE foi "uma vitória sobre o medo" e uma maneira de mostrar a rejeição às políticas europeias.

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