Comissão do Senado aprova indicados para diretorias do Banco Central

Kelly Oliveira - Repórter da Agência Brasil

Indicado para uma diretoria do BC, Reinaldo Le Grazie é sabatinado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Edilson Rodrigues/Agência Senado

Após defenderem o controle da inflação, a responsabilidade fiscal e o câmbio flutuante, mas com intervenções no mercado, os quatro indicados para diretorias do Banco Central foram aprovados na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. A decisão final cabe agora ao plenário do Senado, o que deve ocorrer ainda hoje (5) à tarde.

O administrador Reinaldo Le Grazie, indicado para a Diretoria de Política Monetária, foi criticado por assumir cargo no BC depois de ser diretor-superintendente da Bradesco Asset Management. Para o senador Lindbergh Farias (PT/RJ), há conflito de interesse. Le Grazie teve a maior quantidade de votos contrários: cinco. Entretanto, 22 senadores votaram a favor da indicação.

O atual procurador-geral do BC, Isaac Sidney Menezes Ferreira, indicado para a Diretoria de Relacionamento Institucional e Cidadania, teve 25 votos favoráveis e dois contrários. O economista Tiago Couto Berriel, indicado para a diretoria de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos, teve 24 votos a favor e três contra. O economista Carlos Viana de Carvalho, indicado para a diretoria de Política Econômica, teve 24 votos favoráveis e três contrários.

Inflação

Durante a sabatina, Le Grazie disse que é preciso "o resgate dos princípios do tripé macroeconômico [meta de inflação, responsabilidade fiscal e câmbio flutuante] e sua aplicação da forma plena". "Quanto mais tempo a inflação permanecer próxima à meta, maior será a contribuição do Banco Central para que os reajustes de preços deixem de ser uma preocupação recorrente na tomada de decisão dos agentes", acrescentou.

Ferreira defendeu que se busque alcançar o centro da meta de inflação, de 4,5% em 2017. Ele afirmou que é preciso utilizar as ferramentas monetárias para manter a inflação baixa e estável e efetuar uma comunicação com a sociedade "de modo contínuo, simples, direto e conciso, inclusive quanto a eventuais incertezas".

Isaac Sidney Menezes Ferreira (E) e Carlos Viana de Carvalho (D) receberam, respectivamente, 25 e  24 votos favoráveisEdilson Rodrigues/Agência Senado

Neste ano, a meta de inflação é 4,5%, com limite superior em 6,5%. Mas a inflação deve superar o teto. A projeção do BC é que a inflação fechará este ano em 6,9%.

Segundo o Banco Central, em 2017 a inflação deve recuar e encerrar o período em 4,7%. O limite superior da meta no próximo ano é 6%, com centro em 4,5%.

Taxa de juros

Le Grazie informou que os juros básicos são altos no Brasil porque a inflação é alta. "A gente precisa baixar os dois", destacou.

Para Berriel, os juros são altos no Brasil por falta de poupança doméstica, histórico de inflação alta e instável e incertezas fiscais. Segundo Berriel, é missão do BC trazer a estabilidade de preços e, para isso,  tem de controlar a taxa de juros.

Carvalho disse que o BC tem de focar a utilização do instrumento de controle da inflação e a taxa básica de juros (Selic) para a "missão que lhe cabe". "Há custos, mas, como qualquer política, também há os benefícios".

Spread bancário

De acordo com Le Grazie, o nível alto dos spreads, diferença entre taxa de captação de recursos pelos bancos e a taxa cobrada dos clientes, é um tema recorrente que incomoda toda a sociedade. Ele acrescentou que é difícil saber o que mais impacta o spread, se a inadimplência, o custo de capital ou outros fatores. Conforme Le Grazie, medidas para reduzir o risco de inadimplência é onde o BC pode evoluir com mais rapidez.

Câmbio

Le Grazie defendeu intervenções pontuais no câmbio "que sirvam para corrigir fortes distorções". "São práticas saudáveis, desde que não alterem a trajetória da moeda, que é, em última instância, definida por um conjunto de fatores locais e externos".

Reservas internacionais

Le Grazie e Berriel defenderam para o futuro a discussão do volume ideal das reservas internacionais, devido aos custos de se manter os recursos. "O seguro funcionou muito bem. Quando a tranquilidade voltar, a gente pode avaliar, à luz do custo das reservas do novo momento, qual o volume ideal para essas reservas", disse Le Grazie.

Para Tiago Couto Barriel, a contenção de gastos é importante para o equilíbrio das contas públicasEdilson Rodrigues/Agência Senado

Berriel afirmou que o atual nível das reservas é uma maneira de garantir o "bom financiamento das contas externas". "Dessa forma, essa discussão é válida. Mas acho que ela deveria ocorrer em momento que haverá menor incerteza econômica".

Política Fiscal

Segundo Berriel, a contenção de gastos e a reforma da Previdência são importantes para o equilíbrio das contas públicas. Ele enfatizou que o país vive ajustes na economia encaminhadas pelo governo, que, se aprovados no Congresso, poderão reduzir incertezas e melhora da confiança. Berriel destacou que as medidas vão contribuir para que a política de controle da inflação tenha "toda força e eficiência".

Diretoria do BC

O diretor Luiz Édson Feltrim permanece à frente da área de Administração do BC, deixando de acumular a área de Relacionamento Institucional e Cidadania. Os diretores Anthero de Moraes Meirelles (Fiscalização), Otávio Ribeiro Damaso (Regulação) e Sidnei Corrêa Marques (Organização do Sistema Financeiro e Controle de Operações do Crédito Rural) também permanecem nos cargos

CVM

A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado também aprovou a indicação de Henrique Balduíno Machado Moreira para o cargo de diretor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão responsável por fiscalizar e normatizar o mercado de valores mobiliários no Brasil. Moreira foi aprovado por 25 votos a favor e dois contrários.

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