Fotógrafo e manifestantes são presos após protesto no Rio

Vladimir Platonow - Repórter da Agência Brasil

Um grupo de seis jovens foi preso pela Polícia Militar (PM), após o encerramento de um protesto pacífico de diversas categorias, nesta quarta-feira (6), na Avenida Presidente Vargas, no centro do Rio. O fotógrafo Cauê Paloni, do coletivo Democratize, foi preso ao registrar a prisão de um manifestante.

Protesto reuniu diversas categorias, incluindo professores, profissionais de saúde e metalúrgicosFernando Frazão/Agência Brasil

Eles foram levados para a 5ª Delegacia de Polícia, na Lapa, e depois transferidos para a Cidade da Polícia, para serem ouvidos. De acordo com a fotógrafa Bárbara Dias, que faz parte do mesmo coletivo, Cauê estava fotografando a prisão de um dos manifestantes quando recebeu voz de prisão.

"Estávamos fotografando a abordagem de um rapaz que tinha sido autuado e estava sendo levado para a delegacia. Aí o policial disse que nós não podíamos estar fotografando e partiu para cima da gente, mandando parar de fotografar. O Cauê estava com uma [câmera esportiva] Gopro e acabou preso", disse Bárbara.

O comandante do 5º Batalhão de Polícia, tenente-coronel Maurício Silva, esteve na delegacia e disse que um dos rapazes foi preso por estar depredando patrimônio público e que o fotógrafo foi preso por "atrapalhar a prisão". Os jovens foram assistidos pela advogada Eloisa Samy, que iria se pronunciar somente após ouvir a versão dos dois.

A manifestação

O protesto começou por volta das 16h, reunindo diversas categorias, incluindo professores, profissionais de saúde e metalúrgicos. Também atraiu diversos jovens mascarados, a maioria estudantes secundaristas.

A integrante do Sindicato Estadual dos Profissionais de Ensino do Rio de Janeiro (Sepe), Cecília Braz, do núcleo de Barra Mansa, reconheceu que há risco dos estudantes perderem o ano letivo, após quatro meses de greve, que teve continuidade aprovada em assembleia nesta tarde.

"Se perdermos o ano letivo, será um ano que vamos lutar para resgatar, pois é profundo o descaso com a escola pública. Quando os alunos ocuparam as escolas, eles mostraram o quanto está deficiente a educação no Brasil. A nossa luta é justa, pois estão nos tirando um direito sagrado, que é o salário. E se a gente não luta, nossa situação vai piorando cada vez mais", disse Cecília.

O protesto foi oficialmente encerrado por volta das 18h, mas um grupo decidiu regressar pela Avenida Presidente Vargas, quando aconteceram as prisões Fernando Frazão/Agência Brasil

A presidente do Sindicato dos Professores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Lia Rocha, disse que a instituição está em greve há quatro meses, por melhorias salariais e de infraestrutura.

"Este ano a nossa universidade não recebeu nenhum investimento por parte do estado. O restaurante está fechado e não tem ninguém para fazer a limpeza. Estamos em uma greve unitária, reunindo técnicos, alunos e professores", disse Lia.

O metalúrgico Wanderson Oliveira faz parte de um grupo de trabalhadores que perderam o emprego quando o Complexo Petroquímico da Petrobras (Comperj), em Itaboraí, paralisou as obras, devido aos escândalos de corrupção na estatal. "Estamos reivindicando a retomada das obras do Comperj. Não aguentamos mais esta situação. São mais de 7 mil chefes de família desempregados. Vamos parar o Rio de Janeiro se for preciso", disse Wanderson.

O protesto foi oficialmente encerrado por volta das 18h, em frente à prefeitura, na Cidade Nova. Porém, um grupo de manifestante decidiu regressar pela Avenida Presidente Vargas, em direção à Central do Brasil, quando foram houve a abordagem e as prisões por parte da PM.

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